Balanço inédito da presidência brasileira mapeou 722 projetos lançados desde a COP21, buscando transparência e uma nova estratégia para a Agenda de Ação.
Um balanço inédito da presidência brasileira da COP30 revelou que quase 300 das 722 iniciativas climáticas lançadas desde a COP21 foram descontinuadas, buscando mais transparência.
Em Brasília, um balanço inédito apresentado nesta terça-feira (14) pela presidência brasileira da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) revelou que 299 das 722 iniciativas climáticas lançadas desde a COP21, em Paris, há uma década, foram extintas ou descontinuadas. A iniciativa busca trazer mais transparência e mobilizar ações voluntárias da sociedade civil, empresas e governos subnacionais.
Segundo Bruna Cerqueira, coordenadora-geral da Agenda de Ação da Presidência da COP30, o objetivo é tangibilizar a situação e esclarecer o status desses projetos. Dos 722 mapeados, 423 continuam ativos e responderam ao chamado para contribuir com a nova Agenda de Aação, que será formalizada na conferência em Belém, daqui a menos de um mês. Este levantamento ocorreu em meio às reuniões da Pré-COP na capital federal, evento preparatório que não visa acordos formais, mas facilita entendimentos para as negociações futuras.
A presidência brasileira da COP30 está focada em três objetivos principais, incluindo a aceleração das ações climáticas e a implementação do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, foram formados grupos de trabalho com representantes de projetos anteriores, organizados em torno de 30 objetivos chave da nova Agenda de Ação, lançada em junho. Diferentemente do padrão, o Brasil inovou ao conectar diretamente essa agenda às metas previstas no Balanço Global, ferramenta que a cada cinco anos avalia o progresso e orienta o plano de ação mundial.
A plataforma oficial de transparência da Conferência do Clima, Nazca, criada na COP14 no Peru, sempre foi o local para registro de resultados, mas poucos retornos foram feitos ao longo dos anos. Contudo, o impulso dado pela atual presidência brasileira resultou em um aumento de quatro vezes no número de iniciativas que responderam à plataforma. Além de informações qualitativas, foram solicitados indicadores e a compilação de um “celeiro de soluções”, com ao menos 137 iniciativas já apresentando um balanço atualizado.
Dan Ioschpe, designado Campeão de Alto Nível da COP30, elogiou o novo modelo de Agenda de Ação, que conecta diretamente as iniciativas às metas do Balanço Global do Acordo de Paris. Ele acredita que essa abordagem permitirá que os setores empresariais alinhem seus projetos de forma mais eficiente, citando como exemplo o desenvolvimento de combustível sustentável para a aviação. O papel dos Campeões Climáticos de Alto Nível, estabelecido na COP21, é mobilizar ações voluntárias de atores não governamentais, essenciais para a concretização dos acordos.