A presença da bactéria Wolbachia em mosquitos foi associada à queda da dengue em Campo Grande. Regiões com índice estável tiveram redução de 63,2% na incidência em 2024. A pesquisa aponta que a prevalência média da bactéria chegou a 86,4% em Campo Grande, e 89% das áreas monitoradas alcançaram ao menos 60%, índice considerado como estabilidade da estratégia.
A técnica consiste na introdução da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti, dificultando a multiplicação dos vírus e reduzindo a capacidade de transmissão. Durante três anos, mais de 100 milhões de mosquitos foram liberados em seis regiões urbanas da Capital, com monitoramento por 1.677 ovitrampas.
A série histórica de casos mostra que, antes da intervenção, os registros anuais frequentemente superavam 4,7 mil. Após a implantação, a cidade deixou de apresentar quantidade de casos com a mesma intensidade observada no período anterior. A pesquisa reúne pesquisadores de várias instituições, incluindo universidades e órgãos de saúde.
O estudo destaca que a Wolbachia se integra às ações regulares de vigilância, não utiliza inseticidas e apresenta manutenção autônoma. A secretária adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, afirmou que o artigo traduz, em evidência científica, uma experiência construída com base em cooperação, planejamento e compromisso com a saúde pública.