Encontro no Pantanal discute uso controlado do fogo para prevenção de incêndios

A segunda edição dos 'Dias de Campo' acontece em Corumbá com a participação de brigadistas indígenas e especialistas para abordar o uso do fogo como [...]
Encontro ocorre entre os dias 14 e 19 de junho — Foto: Encontro ocorre entre os

A cidade de Corumbá recebe a segunda edição dos "Dias de Campo: Resgate do Uso Tradicional do Fogo no Pantanal", parte do projeto Vidas e Vozes Kadiwéu. O evento, que ocorre entre os dias 14 e 19 de junho, reúne brigadistas indígenas, comunidades tradicionais, produtores rurais, pesquisadores, bombeiros e gestores ambientais, com o objetivo de discutir a utilização do fogo como uma estratégia de prevenção de incêndios.

Este encontro é promovido pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras e se realiza em um contexto em que a região ainda enfrenta as consequências dos grandes incêndios que ocorreram em 2020 e 2024. Os debates se concentram na importância do uso planejado do fogo, conhecido como "fogo bom", como uma medida eficaz para evitar tragédias de grandes proporções.

Pesquisas em diferentes biomas e países indicam que queimadas controladas, realizadas em condições climáticas adequadas, podem reduzir o acúmulo de vegetação seca e diminuir a intensidade de incêndios, além de criar barreiras que dificultam a propagação das chamas. Na Terra Indígena Kadiwéu, o trabalho prévio é essencial, com o brigadista indígena Kadiwéu Rubens Ferraz analisando a paisagem e escolhendo áreas estratégicas para queimas prescritas.

Rubens Ferraz destaca a importância do conhecimento do território para o sucesso das queimas. "Na nossa queima, não fazemos nem aceiro. O brigadista precisa conhecer o território e ter certeza de que aquele fogo vai morrer na borda. A gente sabe quais são os lugares onde normalmente começam os grandes incêndios e trabalha antes para reduzir essa vegetação acumulada", explica.

O pesquisador Filipe Tamiozzo, coordenador do Laboratório de Incêndios Florestais da UFV (Universidade Federal de Viçosa), enfatiza que a exclusão do fogo por mais de 50 anos teve impactos significativos nas comunidades. Ele aponta que a política de "fogo zero" limitou a capacidade das pessoas de interagir com seus territórios. "Passamos a construir esse processo junto às comunidades, identificando áreas que precisam ser protegidas, queimadas ou restauradas", comenta.

Uma das iniciativas desenvolvidas é o Mapeamento da Cultura do Fogo, que foi inicialmente aplicado com povos indígenas do Xingu e adaptado para a Terra Indígena Kadiwéu. Este mapeamento resulta em um documento coletivo que combina informações ambientais com referências culturais e históricas dos moradores.

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