A cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul, confirmou mais uma morte relacionada à chikungunya, elevando o total de óbitos pela doença em 2026 para 11. O município é o epicentro da epidemia no Estado, responsável por 64,71% das 17 mortes registradas em MS. Essa nova contagem iguala o total de óbitos do ano anterior e destaca a gravidade da situação, que também se reflete em nível nacional, onde o Estado representa aproximadamente 70% das 24 mortes confirmadas.
A vítima mais recente é uma mulher de 46 anos, não indígena, que estava internada no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) desde 26 de abril, quando começou a apresentar os sintomas. Ela tinha uma condição de saúde pré-existente, uma doença respiratória crônica, que agravou seu estado. Além dela, na última sexta-feira (8), um bebê indígena de apenas 48 dias também perdeu a vida devido à chikungunya. O recém-nascido, residente da Aldeia Bororó, estava internado no HU-UFGD desde o dia 3 de maio, após ser atendido por equipes de saúde da Reserva Indígena de Dourados.
Entre os 11 óbitos confirmados em Dourados, a maioria das vítimas são indígenas, totalizando nove. Dentre elas, destacam-se três bebês, com idades de 48 dias, 1 mês e 3 meses, além de sete adultos, a maioria idosos, com idades que variam entre 29 e 77 anos. As duas outras vítimas não indígenas tinham 46 e 63 anos e residiam em áreas urbanas da cidade. Há três mortes em investigação, incluindo a de uma criança indígena de 12 anos e dois homens, um de 84 e outro de 50 anos, que também vivem na zona urbana de Dourados.
Os dados do boletim epidemiológico, divulgado pela Prefeitura de Dourados, indicam que o município contabiliza 8.275 notificações da chikungunya. Desses, 5.410 são considerados casos prováveis, enquanto 3.374 foram confirmados. Ademais, 2.010 casos permanecem em investigação e 2.865 foram descartados. No contexto das comunidades indígenas, que possuem mais de 20 mil habitantes, 2.093 casos foram confirmados nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com 2.488 casos prováveis e 395 em investigação.
A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e foi introduzida nas Américas em 2013, causando surtos em diversos países. Os sintomas incluem febre alta e dores articulares intensas, que podem se prolongar por mais de 15 dias. Em muitos casos, as dores nas articulações se tornam crônicas, podendo durar anos. Além disso, a condição pode acarretar complicações graves, incluindo problemas cardiovasculares, renais e neurológicos, exigindo, em alguns casos, internação e podendo levar ao óbito. A orientação para quem apresentar sintomas é buscar atendimento médico para um diagnóstico adequado, com exames disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).