A escalada no Oriente Médio eleva o risco global, fortalecendo o dólar e impede reação do real, apesar da alta do petróleo. Diferentemente de outro choques geopolíticos recentes, o dólar não devolveu a alta inicial e, por consequência, o real desacelerou o movimento de valorização que registrava desde o ano passado.
O principal fator é a mudança na natureza do risco global. O prêmio de risco do mercado atribuído ao conflito no Irã é mais elevado do que na deflagração do conflito Rússia-Ucrânia.
Isso ajuda a explicar a pressão sobre o real. Historicamente, o dólar frente ao real depende entre 70% e 80% do movimento externo.
No primeiro mês da guerra na Ucrânia, porém, o dólar seguiu um roteiro distinto. Saiu de R$ 5,0097 em 23 de fevereiro, saltou para R$ 5,1231 no dia da invasão da Rússia na Ucrânia, em 24 de fevereiro, mas recuou para R$ 4,8253 em 24 de março, um mês depois do início do conflito direto.