Após uma quarta-feira de estabilidade, o dólar apresentou uma queda significativa nesta quinta-feira, 6, alcançando a cotação de R$ 5,1073. Essa movimentação ocorreu em um cenário onde a moeda norte-americana se valorizava em outras partes do mundo, mas o real se destacou, principalmente em relação a moedas latino-americanas como o peso colombiano.
Investidores observam que a desvalorização do dólar pode ser atribuída a um movimento de correção, com muitos desfazendo posições defensivas que foram montadas antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Na quarta-feira, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic de 14,25% para 14%, conforme esperado pelo mercado.
A alta de mais de 3% no preço do petróleo, impulsionada por tensões no Oriente Médio e com o barril do Brent superando a marca de US$ 80, também contribuiu para a apreciação do real, melhorando os termos de troca do Brasil. No fechamento, o dólar à vista caiu 0,41%, apesar de acumular uma valorização de 0,73% nos primeiros quatro dias de agosto e perdas de 6,95% no ano até agora.
Jacques Zylbergeld, superintendente de câmbio do Banco Rendimento, comentou que o tom do Copom na quarta-feira foi mais firme, o que possibilitou ao dólar devolver parte da alta observada no início da semana. Esse aumento inicial foi influenciado por ruídos políticos, incluindo tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Zylbergeld destacou que, ao analisar dados recentes, como a produção industrial, o mercado já previa um sinal de continuidade no ciclo de cortes da Selic. Embora o Banco Central não tenha descartado a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual, a comunicação foi mais voltada para uma pausa do que para um novo corte.
Andrés Abadia, economista-chefe para América Latina da consultoria Pantheon Macroeconomics, acredita que um novo corte na taxa Selic pode ocorrer em setembro, mas alerta que a crescente incerteza política pode manter as expectativas de inflação elevadas, limitando a margem para novos alívios nas taxas de juros.