O dólar finalizou a sessão de quinta-feira, 14, com uma diminuição de 0,45%, estabelecendo-se a R$ 4,98. Esse movimento representa uma correção parcial após o aumento da moeda na quarta-feira, que refletiu os prêmios de risco político associados à corrida presidencial. Os investidores começaram a considerar a possibilidade de reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o que pode garantir a continuidade da atual política econômica, especialmente após a aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na quarta-feira, o dólar havia subido 2,31% em relação ao real, em grande parte devido a uma realização de lucros, visto que a moeda brasileira já apresentava um desempenho superior ao de seus pares e acumulava ganhos expressivos em 2026. A expectativa de que a eleição presidencial não seria o foco principal até o início do segundo semestre alimentou apostas na valorização do real, impulsionada pela alta do petróleo e pelas taxas de juros elevadas no Brasil.
Embora tenha registrado uma máxima de R$ 5,0286 logo no início do dia, o dólar permaneceu em queda durante o restante da sessão. Após atingir uma mínima de R$ 4,9721, a moeda americana fechou a R$ 4,9863. Na semana, a divisa acumula uma valorização de 1,89% e uma alta de 0,68% em maio, após um recuo de 4,36% em abril. Em termos anuais, as perdas do dólar são de 9,16%.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subiu cerca de 0,40%, aproximando-se de 98,900 pontos. O encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, trouxe sinais positivos para o mercado, com Xi manifestando apoio à navegação pelo Estreito de Ormuz, uma questão delicada devido à guerra no Oriente Médio.
Otávio Oliveira, gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, comentou que o cenário do câmbio deve ser monitorado de perto, especialmente em função das recentes oscilações nos preços dos combustíveis. Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, destacou que as notícias atuais indicam uma tendência do governo em adotar medidas eleitorais.
A pressão sobre o real na quarta-feira também foi atribuída ao anúncio de subvenções aos preços da gasolina e do diesel, o que sugere que o governo Lula está disposto a implementar estratégias para mitigar os impactos da alta dos preços do petróleo, especialmente em um contexto eleitoral.