O dólar encerrou a sessão de quinta-feira, 9, cotado a R$ 5,062, o menor nível registrado nos últimos dois anos, com uma queda de 0,78%. Este valor não era alcançado desde 9 de abril de 2024, quando a moeda fechou em R$ 5,007. Ao longo do ano, a divisa acumula uma desvalorização de quase 8%. Fatores tanto internos quanto externos têm contribuído para essa movimentação, favorecendo o real.
No cenário internacional, a moeda americana perdeu força após a divulgação de dados mistos referentes à economia dos Estados Unidos. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou um desempenho abaixo do esperado, enquanto o Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) se manteve dentro das expectativas do mercado, sendo essa medida de inflação preferida pelo Federal Reserve.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que a queda do dólar também pode ser atribuída ao desmonte de posições defensivas, mesmo em um cenário de incerteza geopolítica e com os preços do petróleo elevados, próximos de US$ 100. A diminuição do apetite por ativos de proteção possibilitou uma maior busca por investimentos em mercados emergentes.
Além disso, o mercado está atento ao cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. Relatos sobre o tráfego de navios reduzido no Estreito de Ormuz, que representa 20% da produção mundial de petróleo, têm impactado o preço da commodity, que voltou a subir, reacendendo preocupações com a inflação global.
O preço do Brent, referência internacional, subiu quase 4%, aproximando-se da marca de US$ 100, enquanto o WTI registrou uma alta de 6%. A tensão se intensificou após Mohammed Bagher Ghalibaf, porta-voz do parlamento iraniano, acusar os EUA de violar os termos do acordo de cessar-fogo, o que pode fragilizar o clima de alívio que havia se estabelecido anteriormente.