Há uma década, a imagem de um menino sírio de 3 anos, Alan Kurdi, morto em uma praia turca, chocou o mundo. A foto, tirada após um naufrágio no Mar Mediterrâneo, tornou-se um símbolo da crise de refugiados que assolava a Europa em 2015.
Alan Kurdi estava entre os aproximadamente 3.700 que perderam a vida no Mediterrâneo naquele ano, enquanto tentavam alcançar a Europa, fugindo de conflitos em seus países de origem. A crise migratória de 2015 viu mais de 1,3 milhão de pessoas chegarem às costas europeias, o maior êxodo desde a Segunda Guerra Mundial.
O corpo de Alan foi encontrado em Bodrum, na Turquia, um ponto de partida comum para pequenas embarcações que transportavam pessoas, principalmente da Síria, em direção à Europa. A Turquia havia concedido asilo a cidadãos sírios desde 2011, mas a superlotação dos campos de refugiados levou muitas famílias a buscar refúgio na Europa de forma ilegal.
Traficantes de pessoas exploraram a situação, estabelecendo rotas entre a Turquia e as ilhas gregas. O bom tempo do verão europeu em 2015 facilitou o fluxo migratório. Ilhas gregas ficaram superlotadas, com imigrantes vivendo em tendas improvisadas. Milhares de pessoas caminhavam por estradas na Eslováquia, Hungria e Áustria, em busca de um novo lar, geralmente na Alemanha.
A família de Alan Kurdi buscava refúgio na Alemanha, após anos em campos na Turquia. A tentativa de obter um visto para o Canadá foi negada. Na madrugada de 2 de setembro de 2015, Alan, seu irmão e seus pais embarcaram em um bote inflável em Bodrum, com destino à ilha grega de Kos. O bote virou, e Alan, seu irmão e sua mãe morreram afogados.
A fotógrafa turca Nilufer Demir, autora da imagem, expressou o desejo de que a foto pudesse mudar o curso dos eventos. A imagem gerou comoção mundial e levou líderes europeus a se manifestarem. O Canadá ofereceu asilo ao pai de Alan, que recusou e foi viver no Curdistão iraquiano. A família do menino criou uma organização para prevenir novas tragédias.
Uma década depois, a situação migratória na Europa não apresentou melhora. Movimentos anti-imigração ganharam força. Embora as chegadas de migrantes irregulares à União Europeia tenham diminuído desde 2015, as rotas migratórias tornaram-se mais perigosas e diversificadas. A União Europeia não conseguiu implementar uma política migratória comum, e a crise alimentou um movimento anti-imigração que se tornou uma força política relevante no continente.