O deputado estadual Pedro Kemp, representando o PT, apresentou uma moção de protesto na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, direcionada ao senador Flávio Bolsonaro, do PL. A proposta surge em resposta a reportagens que indicam que Flávio teria oferecido uma futura equipe de transição ao Governo dos Estados Unidos antes das eleições presidenciais de 2026.
O documento protocolado por Kemp destaca que o senador, em uma carta enviada após sua visita à Casa Branca em maio, teria colocado essa equipe à disposição das autoridades norte-americanas caso seja eleito em outubro. A carta em questão foi mencionada pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que agradeceu a oferta e expressou otimismo em relação às eleições brasileiras.
Na correspondência, Rubio elogiou a disposição de Flávio em colaborar com os líderes eleitos pelo povo brasileiro, destacando a importância de uma estrutura de comércio e investimento entre os países. Essas declarações têm gerado discussões sobre a legalidade e a ética de tal proposta, especialmente em um contexto de soberania nacional.
Kemp argumenta que a iniciativa de Flávio Bolsonaro contraria a Constituição Federal, que garante a soberania e a autonomia do Brasil em questões de governo. O deputado ressalta que a oferta de uma equipe de transição a governos estrangeiros infringe princípios fundamentais da independência nacional e da não intervenção estrangeira nas questões internas do país.
A moção ainda cita a Lei n° 10.609, de 20 de dezembro de 2002, a qual estipula que a formação de uma equipe de transição só pode ocorrer após a confirmação oficial dos resultados eleitorais. Essa legislação estabelece que a estrutura de transição é de natureza administrativa, visando garantir a continuidade da gestão pública, sem espaço legal para interações políticas antes do término do processo eleitoral.
Com a proposta agora protocolada, o parlamento deverá votar a moção em breve. Há a expectativa de que a discussão gere um debate acalorado, reminiscentes das controvérsias anteriormente levantadas em relação a outras moções, como aquela que foi contra o presidente Lula, que provocou reações de delegados e agentes da segurança pública.