A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) constatou um conluio entre o Banco Master e seus fundos dos quais era cotista, com o objetivo de manter uma ficção contábil. O presidente interino da autarquia, João Accioly, afirmou que o banco não apenas foi vítima de uma fraude, mas atuou ativamente para superdimensionar os ativos dos fundos nos quais investia.
Accioly ressaltou que esse alinhamento entre o Banco Master e os fundos favorecia ambos, uma vez que o superdimensionamento dos valores era refletido no balanço do banco, criando uma falsa percepção de solidez financeira. Isso permitia que o Banco Master demonstrasse ao mercado e ao Banco Central que possuía liquidez suficiente para continuar emitindo CDBs.
O presidente interino descreveu essa situação como um "alinhamento perverso de incentivos" entre gestores e investidores, onde a prática era vista como um "me engana que eu gosto". O Banco Master se beneficiava da aparência de robustez, o que o habilitava a continuar suas operações financeiras.
A CVM formou um grupo de trabalho para analisar informações relacionadas ao Grupo Master e outras entidades. A Polícia Federal investiga fraudes supostamente cometidas por instituições financeiras, com estimativas de que a fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) alcance R$ 12,2 bilhões. Em novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
