Italiana embarcou em navio cargueiro e não conseguiu desembarcar devido à pandemia de Covid-19, enfrentando racionamento e mudanças de planos.
Giulia Baccosi aceitou um emprego em navio cargueiro e ficou impossibilitada de retornar para casa devido à pandemia, vivendo experiências desafiadoras.
Em 2019, durante a véspera de Ano Novo, Giulia Baccosi, então com 31 anos, recebeu uma proposta de emprego inesperada. A cozinheira italiana aceitou trabalhar em um navio cargueiro que partiria da Europa para a América Central, sem imaginar que a pandemia de Covid-19 a deixaria “presa” no mar por seis meses.
A princípio, a viagem duraria cerca de três meses, mas os planos mudaram drasticamente quando a embarcação, chamada Avontuur, foi impedida de atracar em diversos portos devido ao fechamento de fronteiras. A tripulação, composta por 15 pessoas, enfrentou desafios como o racionamento de comida e a incerteza sobre o futuro. Em determinado momento, o Avontuur resgatou 16 migrantes que estavam à deriva no mar há mais de 10 dias, sem água, comida ou combustível, tentando chegar às ilhas Canárias.
O mundo começava a fechar devido à Covid-19, mas a dimensão exata do problema ainda era desconhecida. Sem saber quando poderiam atracar, os tripulantes enfrentaram semanas de isolamento a bordo. A comunicação com o mundo exterior era limitada a um e-mail diário por satélite. Para lidar com o tédio e a ansiedade, a tripulação se dedicou a atividades como artesanato e música.
Após 188 dias no mar, o Avontuur finalmente chegou ao porto de Hamburgo, na Alemanha. A experiência transformadora não impediu que GIulia Baccosi retornasse à vida no mar. Cinco anos depois, ela se encontra novamente a bordo de um navio, perto da Groenlândia.