A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) está em sua última semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Nos próximos quatro dias, as discussões serão organizadas em eixos temáticos específicos, com o objetivo de acelerar a formalização de acordos relevantes.
No primeiro dia da nova fase, o tema central é o financiamento. As delegações presentes trabalham para captar mais recursos que serão destinados à restauração de solos e ao combate à seca. Contudo, os investimentos que foram anunciados até o momento demonstram que os objetivos ainda não foram alcançados. Os novos recursos totalizam US$ 1,3 bilhão, enquanto o déficit anual estimado por especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões.
Yasmine Fouad, secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), pediu um maior engajamento de setores público e privado. Em suas palavras, “falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem.”
Um dos principais anúncios financeiros da COP17 é voltado para as pastagens, que representam mais da metade da superfície terrestre e são essenciais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas. A Rangelands Flagship Initiative, uma parceria entre o governo da Mongólia e a UNCCD, reúne uma carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Essa iniciativa é considerada a maior mobilização financeira da história da Convenção para esses ecossistemas.
O objetivo da Rangelands Flagship Initiative é conservar, gerenciar de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. Essa questão é especialmente central para a Mongólia, onde a conservação das estepes é vital para a sobrevivência das comunidades que dependem da criação de animais.
Outra ação destacada durante a conferência é a ampliação dos recursos destinados à preparação para períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) anunciou a criação de um programa integrado de gestão de terras, com um investimento inicial previsto de US$ 140 milhões. O propósito é ajudar os países a mudar de uma abordagem reativa, focada em emergências, para uma estratégia proativa, que inclua prevenção, monitoramento e planejamento.