Congo registra mais de 500 mortes por ebola e profissionais de saúde ameaçam greve

Com 1.561 casos confirmados, o surto de ebola na República Democrática do Congo já resultou em 506 mortes. Profissionais de saúde reivindicam melhores condições de [...]

As autoridades da República Democrática do Congo informaram que o surto de ebola já causou a morte de pelo menos 500 pessoas, entre os 1.561 casos confirmados desde sua declaração em 15 de maio. A situação se agrava com a insatisfação dos trabalhadores da saúde, que ameaçam entrar em greve devido a condições de trabalho inadequadas e falta de pagamento de benefícios.

Desde que o surto foi identificado, 506 mortes foram registradas, de acordo com atualizações do Ministério da Saúde do país. Os profissionais de saúde, que atuam na linha de frente, estão enfrentando um ambiente desafiador, com pouca assistência e um alto nível de stress, agravado por ataques de moradores e desconfiança em relação ao vírus.

Na província de Ituri, epicentro do surto, os trabalhadores emitiram um aviso de 24 horas, ameaçando paralisar atividades se não forem atendidas suas demandas. Entre as reclamações estão a falta de pagamentos desde o início do surto, condições inadequadas para o trabalho e a escassez de suprimentos essenciais.

Além disso, os profissionais de saúde manifestaram descontentamento com a gestão, citando a “arrogância” das equipes que vêm da capital, Kinshasa, e a priorização de mão de obra de outras províncias em detrimento dos trabalhadores locais. A insatisfação se intensifica com a falta de equipamentos adequados para o enfrentamento do surto.

Essas ameaças de greve ocorrem em um momento crítico, já que o recrutamento para ensaios clínicos começou recentemente. A interrupção das atividades dos profissionais de saúde pode prejudicar severamente os esforços para conter a disseminação da doença, que já foi confirmada em três províncias do leste do país, incluindo Kivu do Norte e Kivu do Sul.

A falta de vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo, que está por trás do atual surto, complica ainda mais a resposta ao surto. O vírus Zaire, que possui vacina, foi responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores de ebola no Congo. As autoridades ainda não conseguiram identificar o paciente zero, e é necessário rastrear possivelmente dezenas de milhares de pessoas que tiveram contato com os infectados.

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