A precariedade da infraestrutura cicloviária da capital sul-mato-grossense tem gerado insegurança e forçado usuários a buscar alternativas no trânsito veicular.
A precariedade das ciclovias em Campo Grande tem levado ciclistas a considerá-las mais perigosas que as ruas, com denúncias de buracos, grades quebradas e falta de iluminação.
Ciclistas de Campo Grande têm alertado que a infraestrutura cicloviária da cidade se tornou mais perigosa do que as próprias ruas, com buracos, grades danificadas e a constante disputa de espaço forçando muitos a abandonar as vias exclusivas. A percepção de insegurança é generalizada entre aqueles que dependem da bicicleta diariamente, seja para lazer ou deslocamento.
Uma investigação jornalística revelou o estado precário de trechos importantes, como os da Orla Morena e da Orla Ferroviária. Imagens divulgadas por uma página dedicada ao ciclismo mostram grades de proteção ausentes ou danificadas, expondo estruturas metálicas que podem causar cortes graves. Em outras áreas, o pavimento está deteriorado ou inexiste, criando desníveis e buracos que dificultam a pedalada e provocam quedas. No fim da Avenida Ernesto Geisel, no Jardim Presidente, guard rails quebrados formam pontas cortantes na beira da ciclovia. Já na Avenida Nelly Martins, raízes de árvores e a falta de iluminação contribuem para a formação de lombadas inesperadas, causando tombos frequentes.
Relatos de usuários destacam a gravidade dos incidentes. Um ciclista, por exemplo, narrou que uma amiga perdeu o controle da bicicleta em um desses pontos problemáticos, colidindo com outro colega, que sofreu a perda de um dente. Outros preferem as ruas ao invés das ciclovias, citando o caos de compartilhar espaço com pedestres, corredores, pessoas com animais e carrinhos de bebê em áreas como o Parque dos Poderes. A Avenida Gury Marques também foi alvo de reclamações, onde a má iluminação somada a um buraco causou a queda e danos ao equipamento de um ciclista.
As críticas surgem em um momento de questionamentos sobre as prioridades de investimento. Autoridades anunciaram a construção de uma nova ciclovia de 4,79 quilômetros na Avenida Nosso Senhor do Bonfim, no Parque Novos Estados, com um custo de R$ 1,6 milhão. Este investimento gerou debate, pois a cidade já conta com aproximadamente 128 quilômetros de infraestrutura cicloviária, mas a manutenção das rotas existentes é frequentemente negligenciada. Um representante dos ciclistas expressou a incoerência de expandir a rede sem garantir que as estruturas atuais estejam em condições adequadas. O planejamento atual prevê a adição de mais 18,62 quilômetros de novas rotas, porém, apenas 10 quilômetros de requalificação da estrutura existente, o que representa menos de 10% do total.
Diante do cenário, a Câmara Municipal agendou para o dia 20 de outubro a Audiência Pública da Bicicleta. O evento, que reunirá ciclistas, autoridades e especialistas, tem como objetivo discutir e propor medidas para a segurança e a manutenção da infraestrutura cicloviária em Campo Grande, buscando soluções para os desafios enfrentados pela comunidade de pedal.