Campo Grande realiza, pela primeira vez, um censo de pessoas em situação de rua, que apontou um total de 1.476 indivíduos na capital. A divulgação dos dados ocorreu na manhã desta quarta-feira (19). Até então, a contagem dessa população era prevista por uma lei municipal, mas não tinha sido realizada pelo poder público.
A defensora pública e coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque, destacou que a cidade não possuía informações anteriores sobre o número de pessoas vivendo nas ruas. Ela lembrou que a legislação municipal, aprovada em 2020, estabelecia a realização dessa contagem a cada dois anos. "A contagem foi feita, além de traçar o perfil da população, o que é extremamente importante", afirmou.
Os dados coletados indicam que 1.190 (80,6%) das pessoas em situação de rua são homens, enquanto 234 (15,9%) são mulheres e 52 (3,5%) são crianças. A pesquisa também revelou que 842 (57%) dessas pessoas foram encontradas em vias públicas, e 634 (43%) estavam registradas nos serviços e instituições da rede de atendimento.
Na apresentação dos dados, Thaisa Raquel enfatizou que o censo não se limita a identificar a quantidade de pessoas nessa condição, mas visa também promover melhorias nas políticas públicas de acolhimento e atendimento. A defensora expressou sua expectativa de que as informações coletadas resultem em avanços nas políticas tanto em nível municipal quanto nacional.
"Esperamos que haja uma melhoria nas políticas públicas, tanto em âmbito municipal quanto na implementação do que determina a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 976 e a própria lei municipal, que traz diretrizes a serem seguidas", destacou Thaisa Raquel. Ela mencionou a importância de garantir acesso a necessidades básicas, como alimentação e água, para as pessoas que não estão acolhidas.
Além disso, a defensora levantou a questão da falta de serviços disponíveis para a população de rua durante os finais de semana e feriados. "Não temos um serviço que funcione nesses dias. A fome e a necessidade de higiene não existem apenas de segunda a sexta-feira", finalizou, ressaltando a importância de atender a essa população em todos os dias do ano.