Nesta sexta-feira (19), a partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo assume um significado especial para a comunidade haitiana em Campo Grande. O jogo ocorre no Dia Nacional do Migrante, data que será comemorada com um evento promovido pela Associação Haitiano-Brasileira (Ashabram), e tem a expectativa de reunir centenas de pessoas. A conexão entre os dois países, marcada pela paixão pelo futebol, reforça laços afetivos e a história compartilhada entre os imigrantes.
O presidente da Ashabram, Junel Ilora, destacou que a coincidência do jogo com a data comemorativa torna a ocasião histórica para muitos haitianos que residem na capital sul-mato-grossense. Estima-se que cerca de 2.500 haitianos vivam atualmente na cidade, um número que pode variar devido ao fluxo migratório constante. A associação, criada há sete anos, tem como missão acolher e orientar os migrantes, oferecendo apoio na regularização de documentos e na inserção no mercado de trabalho.
Junel Ilora compartilha que a Ashabram é um espaço de acolhimento e integração. "Criamos a associação porque, quando chegamos, enfrentamos muitas dificuldades. Hoje, abrimos as portas para todos os migrantes, com o objetivo de auxiliar na educação, saúde e trabalho", afirmou. A maioria dos haitianos que vivem em Campo Grande trabalha na construção civil, enquanto muitas mulheres estão empregadas em setores de serviços como hotéis e supermercados, buscando construir uma nova vida no Brasil.
Para a comunidade haitiana, o jogo representa mais do que apenas um confronto esportivo. O Haiti tem uma relação histórica com a seleção brasileira, com muitos torcedores adotando o Brasil como sua principal equipe, mesmo quando o Haiti não se qualificava para os mundiais. "Nosso coração está dividido. Nascemos para torcer pela seleção brasileira, mas agora teremos um jogo contra o Haiti. É um momento simbólico, o povo haitiano está ganhando em dobro Nesta Copa", comentou um membro da comunidade.
O evento em comemoração ao Dia do Migrante será realizado às 18h30, no salão paroquial da Comunidade Divino Espírito Santo, localizada no Bairro Rita Vieira. O jogo entre Brasil e Haiti está agendado para começar às 20h30, trazendo uma atmosfera de celebração e união entre as culturas.
Independentemente do resultado da partida, a perspectiva é de que a noite seja uma celebração de conquistas e da nova história que muitos haitianos estão construindo longe de suas terras natais, sem deixar suas raízes para trás. "Vamos celebrar juntos. Quando o Haiti joga contra o Brasil, especialmente em uma Copa do Mundo, é um momento que não pode ser esquecido. É uma oportunidade para guardarmos essa memória para sempre", concluiu Junel Ilora.