Câncer Vencido, Emprego Perdido: Incontinência Urinária Roubou a Vida de Supervisor

Em 2009, José Geraldo de Souza, então supervisor de segurança, recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida drasticamente: câncer de próstata em estágio avançado. A [...]

Em 2009, José Geraldo de Souza, então supervisor de segurança, recebeu um diagnóstico que mudaria sua vida drasticamente: câncer de próstata em estágio avançado. A notícia veio pouco antes de uma cirurgia de hérnia de disco que aliviaria suas dores crônicas na coluna, mas que precisou ser cancelada.

Aos 55 anos, José Geraldo sentiu o chão sumir sob seus pés. Após o diagnóstico e o plano de tratamento com radioterapia e remoção da próstata, encontrou forças para enfrentar a doença.

O câncer de próstata é o mais comum entre homens, após o câncer de pele. Seus sintomas podem incluir dificuldade para urinar, demora para começar e terminar, sangue na urina, jato fraco e necessidade frequente de urinar. As causas não são totalmente conhecidas, mas idade, histórico familiar, obesidade, tabagismo e exposição a produtos químicos são fatores de risco. O diagnóstico é confirmado por biópsia, após alterações no exame de sangue (PSA) ou toque retal.

Embora tenha vencido o câncer, o tratamento deixou uma sequela devastadora: incontinência urinária. A complicação, frequente após a remoção da próstata, o afastou do trabalho e da vida social. Como supervisor de segurança, precisava usar de seis a nove fraldas por dia em plantões de 13 horas.

“A incontinência me afastou por cinco anos até eu me aposentar por invalidez. Ela também me aprisionou. Quase não saía de casa e se saísse, tinha que levar fraldas para trocar. Muitas vezes achava que voltaria rápido, mas acabava demorando e chegava em casa com a calça molhada. Isso me deixava muito mal, cheguei a chorar de vergonha”, recorda.

O constrangimento o acompanhava em reuniões e deslocamentos. Sofrendo em silêncio, adaptou a vida a horários rígidos de trocas de fraldas, evitando convites sociais e se isolando. No Brasil, estima-se que cerca de 15% dos homens com mais de 40 anos sofram de incontinência urinária. Em homens, o tratamento para câncer de próstata é uma das principais causas.

Em 2011, José Geraldo descobriu a possibilidade de um tratamento cirúrgico: a implantação de um esfíncter urinário artificial. Após uma estenose (estreitamento da uretra), a cirurgia se tornou ainda mais necessária.

Para ele, a cirurgia foi um divisor de águas. “Foi a maior alegria da minha vida, como se eu tivesse voltado a viver de verdade”, relata. “Depois do implante, voltei a ter uma vida ativa e normal. Hoje uso apenas um absorvente, porque tenho pequenos escapes, principalmente quando tenho crise de tosse ou esforço exagerado. Mas não dá para comparar: passo o dia inteiro seco, e minha vida voltou ao normal”.

Apesar dos benefícios, a tecnologia ainda não está disponível no SUS devido aos altos custos. Estima-se que 800 pacientes por ano no SUS desenvolvam incontinência urinária após cirurgia de próstata, mas em 2023, apenas 132 procedimentos foram registrados via convênios.

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