Os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre o Brasil ao divulgar dois relatórios com críticas diretas ao país, atingindo tanto o ambiente comercial quanto decisões do Judiciário. As manifestações ocorrem em um momento de incerteza na relação com o governo Lula, levantam preocupações sobre impactos no cenário político e eleitoral e reforçam o clima de tensão entre Brasília e Washington.
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulgou um relatório que traça um panorama crítico das relações comerciais com o Brasil e aponta uma série de entraves enfrentados por empresas americanas no país. O material é parte de uma investigação aberta pelo órgão ainda no ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
Paralelamente, o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA acusou o Judiciário brasileiro de impor um “modelo de censura com alcance global”. O relatório aponta que decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinaram a remoção de conteúdos e contas em redes sociais com alcance global, atingindo inclusive usuários residentes nos Estados Unidos.
O texto também cita os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como alvos de Moraes. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA, teria sido alvo de medidas que limitam sua atuação nas redes, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) é citado sob a avaliação de que decisões do ministro podem impactar o debate público no Brasil às vésperas das eleições.