Bioparque Pantanal Impulsiona Reprodução de Espécies Ameaçadas e Amplia Acervo

O Bioparque Pantanal, situado em Campo Grande, consolida-se como um centro de excelência em pesquisa, reprodução e conservação de espécies aquáticas de água doce. A [...]

O Bioparque Pantanal, situado em Campo Grande, consolida-se como um centro de excelência em pesquisa, reprodução e conservação de espécies aquáticas de água doce. A instituição monitora ativamente a reprodução de 89 espécies de animais aquáticos, incluindo duas classificadas como criticamente ameaçadas de extinção. A ambiciosa meta é expandir esse trabalho, incorporando mais 20 espécies ao ciclo reprodutivo até o final do ano.

À frente desta iniciativa está o biólogo e curador do Bioparque, Heriberto Gomes Júnior, que enfatiza a importância fundamental de documentar detalhadamente o ciclo de vida de cada espécie, desde o estágio de ovo até a fase adulta. Segundo ele, cada animal recebe catalogação e monitoramento rigorosos, gerando um corpo de conhecimento valioso que contribui para o desenvolvimento de protocolos de manejo e reprodução.

“Registrar a reprodução de cada espécie nos ajuda a entender seus hábitos e trabalhar na sua conservação”, salienta o biólogo.

Entre as conquistas notáveis do Centro de Conservação e Reprodução de Peixes Neotropicais (CCPN) destaca-se a reprodução bem-sucedida de duas espécies criticamente ameaçadas: o cascudo-viola, natural de Mato Grosso do Sul, e o axolote, originário do México.

A reprodução inédita do cascudo-viola fora de seu habitat natural representa uma esperança para a conservação e o repovoamento do rio Coxim, no Pantanal, onde a espécie é nativa e restrita. A região enfrenta desafios devido ao impacto de hidrelétricas, colocando em risco a vida desses peixes.

Já os primeiros exemplares de axolote no Bioparque foram provenientes de apreensões de tráfico de animais. Este anfíbio, um tipo de salamandra, enfrenta ameaças devido à destruição ambiental nas proximidades da Cidade do México. Atualmente, os axolotes reproduzidos no Bioparque podem ser observados nas galerias de visitação, integrando as ações de educação ambiental.

Desde sua inauguração em 2022, o Bioparque expandiu significativamente seu acervo, passando de 230 para 468 espécies de peixes, sendo 175 delas originárias do Pantanal. Isso o posiciona como detentor do maior acervo de peixes do Pantanal em todo o mundo.

Essa ampliação é fruto de expedições científicas realizadas pela equipe ao longo dos rios do estado, com foco na Bacia do Alto Paraguai nos últimos três anos. No ano passado, foi realizada a primeira expedição na Bacia do Rio Paraná.

O objetivo final de todos esses esforços, conforme o curador, é a reintrodução de muitas dessas espécies para repovoar os rios do estado, particularmente em áreas onde há risco de extinção.

O Bioparque também mantém parcerias com universidades, colaborando em 20 projetos científicos em conjunto com instituições como a UFMS, UFGD, UEMS, UFPA e UFSCar.

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