A rede de abastecimento de água na Reserva Indígena de Dourados está em fase de elaboração do processo licitatório pelo Governo do Estado, a partir de um projeto da Sanesul. Ainda não foi definido quem pagará a conta de água dos moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó, que aguardam o serviço há anos.
Em evento de anúncio da Policlínica Regional, o superintendente da SMSA/MS, Ronaldo de Souza Costa, afirmou ser favorável à cobrança de água nas aldeias, inclusive para irrigação, criação de bois e demais usos, defendendo que a cobrança deve ser geral. O Ministério Público Federal se reuniu com a Sanesul em 23 de janeiro e o procurador Marco Antonio Delfino de Almeida propôs que a Sesai custeie o consumo de tarifa social até 15 m², compensando gastos mensais de cerca de R$ 400 mil.
A Sanesul rejeitou a proposta, alegando que a Sesai teria que arcar com todo o consumo, inclusive de estabelecimentos comerciais, escolas e residências acima de 15 m², o que consideram inviável. A empresa ressaltou que não tem responsabilidade sobre sistemas em território federal, mas realizou o projeto gratuitamente por razões sociais e orientação do governador e vice‑governador, estimando que o custeio pela Sesai giraria entre R$ 1,5 mi e R$ 2 mi.
O convênio que liberou R$ 50,7 mi para a implantação foi assinado em 16 de janeiro; o sistema inclui poço tubular de 150 mil L/h, tratamento por cloração, reservatórios de 500 mil L (dois) e 50 mil L elevado, além de 103,84 km de rede em Bororó e 80,9 km em Jaguapiru, atendendo cerca de 29,4 mil habitantes projetados para 2033. A fase atual é a preparação do licenciamento ambiental, com previsão de até seis meses, seguida de obra de 1,5 a 2 anos; a cobrança ainda está em discussão e o projeto prevê hidrômetros individuais para medição.