Aumento Expressivo no Número de Falantes de Línguas Indígenas no Brasil

O número de falantes de línguas indígenas no Brasil cresceu quase 50% entre 2010 e 2022, atingindo 433.980 pessoas. [...]

Censo 2022 revela um crescimento de quase 50% em 12 anos, impulsionado por valorização e resgate cultural.

O número de falantes de línguas indígenas no Brasil cresceu quase 50% entre 2010 e 2022, atingindo 433.980 pessoas.

O Brasil registrou um aumento significativo no número de falantes de línguas indígenas, conforme dados do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo IBGE. Entre 2010 e 2022, o número de falantes cresceu 47,7%, passando de 293.853 para 433.980.

O levantamento também apontou um aumento expressivo de falantes fora das terras indígenas (TIs), com um crescimento superior a 100%, demonstrando a crescente importância da manutenção e valorização dessas línguas em diferentes contextos. O Censo identificou 295 línguas indígenas faladas no país, um aumento em relação às 274 contabilizadas em 2010.

As maiores concentrações de falantes estão localizadas nos estados do Amazonas, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Manaus se destaca como o município com a maior diversidade linguística, seguido por São Paulo e Brasília.

Valorização e Desafios

Apesar do aumento absoluto, a proporção de falantes em relação à população indígena total diminuiu, passando de 37,35% em 2010 para 28,51% em 2022. No entanto, dentro das TIs, o percentual de falantes de línguas indígenas aumentou, indicando um fortalecimento da identidade linguística nesses territórios.

Fernando Damasco, do IBGE, ressalta que o aumento reflete um movimento de valorização e resgate das línguas pelos próprios indígenas. Ele destaca a importância de políticas públicas que reconheçam essas línguas e garantam o acesso à cidadania.

A educação bilíngue e o uso das línguas indígenas em contextos formais são apontados como estratégias cruciais para o fortalecimento linguístico e cultural das comunidades indígenas.

Os dados também revelam um aumento no número de indígenas que utilizam o português em seus domicílios. O IBGE alerta para a importância de uma alfabetização que não incentive a substituição das línguas indígenas pelo português, mas que promova o bilinguismo e o respeito à diversidade linguística do país.

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