A previsão de que o super-El Niño impactará Mato Grosso do Sul com temperaturas elevadas até fevereiro de 2027 gera preocupações relacionadas ao aumento de ataques de animais peçonhentos, especialmente os escorpiões. Informações da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apontam que, entre janeiro e setembro deste ano, Campo Grande registrou 1.192 acidentes envolvendo animais peçonhentos, sendo 1.008 deles relacionados a escorpiões.
Além dos escorpiões, os dados incluem 46 acidentes com serpentes, 45 com aranhas, 27 com abelhas e 19 envolvendo lagartas. Comparando com o mesmo período de 2025, houve uma diminuição de quase 40% nos registros, que chegaram a 1.974 acidentes nos primeiros nove meses do ano passado. Apesar da queda, a superintendente de vigilância em saúde e ambiente do Município, Veruska Lahdo, expressa preocupação quanto aos próximos meses, devido à atuação do super-El Niño.
Veruska Lahdo destaca que, embora a chegada do fenômeno esteja prevista para novembro, os efeitos já estão sendo sentidos, com aumento das temperaturas. Ela explica que a equipe de saúde está se preparando para lidar com as consequências do fenômeno, que incluem o aumento de vetores e picadas por animais peçonhentos. A especialista menciona que a orientação será reforçada para as unidades de saúde, especialmente na rede de urgência, com foco em como relatar esses casos para avaliação.
A redução no número de acidentes em relação ao ano anterior é atribuída a um plano de dedetização implementado nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), onde há maior concentração de crianças de até 5 anos, grupo considerado de risco em caso de picadas. A superintendente ressalta a importância de medidas preventivas, como vedação nas portas, manutenção da limpeza dos ambientes e cuidados com lixeiras.
Em situações de picadas, as secretarias de saúde orientam que todo acidente com animal peçonhento deve ser tratado em uma unidade de saúde, destacando a importância de buscar atendimento médico emergencial para avaliação do envenenamento.
Os especialistas alertam que o super-El Niño pode trazer sérias consequências para diversos setores em Mato Grosso do Sul, especialmente no último trimestre do ano. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o período crítico do fenômeno na Região Centro-Oeste ocorre neste mês, caracterizado por atrasos nas chuvas e ondas de calor intensas.
Com informações correiodoestado.com.br