A 2ª Vara do Tribunal do Júri sediou, na tarde desta segunda-feira (13), a segunda audiência de instrução e julgamento do caso de feminicídio envolvendo a subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos. O réu, Gilberto Jarson, que era namorado da militar, chegou ao Fórum Heitor de Medeiros, onde se aguardava a oitiva de testemunhas e a possibilidade de seu próprio depoimento ainda durante a sessão.
Gilberto compareceu ao fórum vestido com bermuda e camiseta do sistema prisional, na cor laranjada, e calçado com chinelos. A primeira testemunha a ser ouvida foi a irmã do réu, que se apresentou como informante. Em seu depoimento, ela recordou a amizade de longa data com Marlene, afirmando que a subtenente estava passando por tratamento psiquiátrico e parecia estar em um bom momento da vida, especialmente após o início de seu relacionamento com Gilberto.
A testemunha também mencionou que Marlene enfrentava dificuldades financeiras, decorrentes de um empréstimo feito em favor de um namorado estrangeiro, que não honrou a dívida. Esse endividamento, segundo a irmã de Gilberto, contribuiu para o estado de depressão da militar.
O caso em questão envolve a morte de Marlene, que foi atingida por disparos em sua residência. O principal suspeito, Gilberto Jarson, apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido. Relatos indicam que um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Após ouvir um tiro, uma vizinha alertou o policial, que encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas e, ao questioná-lo sobre Marlene, não obteve resposta.
Diante da demora de Gilberto para abrir o portão, o policial decidiu pular o muro e encontrou o réu falando ao telefone, com uma arma na mão. O PM ordenou que ele soltasse o revólver, que foi colocado sobre um baú. Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda apresentava sinais vitais, mas não resistiu após os socorros serem acionados por meio dos números 192, 193 e 190. Vizinhos relataram que as brigas entre o casal eram constantes, e uma testemunha chegou a ouvir Marlene pedindo socorro em uma ocasião anterior.
Após o incidente, Gilberto foi questionado pelos policiais, apresentando diferentes versões dos fatos. Em um momento, afirmou que havia ligado para a polícia após o tiro e também mostrou uma ligação feita para seu advogado. Ele alegou que tinha provas de que a vítima manifestava intenção de cometer suicídio, além de afirmar que não houve discussão entre eles no dia do crime.