Os fortes temporais que atingiram Campo Grande nos últimos dias provocaram alagamentos significativos, queda de granizo e interrupções no fornecimento de energia em várias regiões da cidade. Embora as chuvas tenham diminuído, a preocupação com a saúde pública aumentou, considerando o risco de doenças associadas ao contato com água contaminada, lama e resíduos.
Na quinta-feira (30), a capital sul-mato-grossense registrou um acumulado de 102,4 milímetros de chuvas em um único dia, o que a coloca como a cidade com o maior volume de precipitação do país em 24 horas, conforme dados da estação meteorológica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Com a água das enchentes recuando, especialistas alertam que a população deve evitar o contato com áreas alagadas e adotar medidas de precaução durante a limpeza de imóveis, comércios e terrenos afetados pelas chuvas.
Sandra Demétrio Lara, coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera Campo Grande, explica que as enchentes trazem riscos à saúde devido à contaminação provocada pela água que transborda de rios, córregos e galerias pluviais, que frequentemente carrega lama, lixo e esgoto. Essa contaminação aumenta a possibilidade de infecções e doenças como leptospirose, cólera, hepatites e febre tifoide.
Além dos riscos infecciosos, ela aponta que o cenário tem favorecido a proliferação do mosquito Aedes aegypti, com Campo Grande registrando até o momento 1.354 casos de dengue e 36 de chikungunya neste ano. De acordo com Sandra, o acúmulo de água após as chuvas cria um ambiente propício para o aumento da população de mosquitos.
Outro ponto de atenção após as enchentes é a entrada de animais peçonhentos em áreas urbanas, como cobras, escorpiões e aranhas. Esses animais costumam buscar abrigo em residências e locais com entulho, o que torna o cuidado ainda mais necessário.