Recentemente, a chuva intensa em Campo Grande resultou em 55,6 milímetros de precipitação, causando alagamentos e danos a diversas residências. No entanto, essa não é uma situação isolada da capital. Em Mato Grosso do Sul, 29 cidades estão classificadas como em risco para desastres naturais hidrológicos, afetando mais de 25 mil habitantes que residem em áreas vulneráveis.
Apesar de o Estado ter conhecimento sobre as áreas de risco e possuir planos para orientar ações em eventos extremos, a preparação dos municípios ainda é desigual. Dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, apenas três — Maracaju, Dourados e Coxim — têm Planos de Contingência (Plancons) em consolidação, conforme levantamento realizado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-MS). Quatro outros municípios, Bela Vista, Caarapó, Vicentina e Alcinópolis, estão na fase de finalização, enquanto 68 ainda estão em elaboração.
Embora o Estado tenha identificado as áreas e populações mais vulneráveis, a carência na elaboração dos Plancons significa que a maioria dos municípios não tem um plano claro para agir em caso de desastres. Mato Grosso do Sul possui dois planos estaduais de contingência para desastres, ambos elaborados para 2025, com um focado em Chuvas Intensas e o outro em situações de seca, estiagem e incêndios florestais.
Esses planos estaduais orientam a atuação das estruturas governamentais, mas não substituem os Plancons municipais, que devem definir as responsabilidades dos órgãos envolvidos, os recursos disponíveis e os procedimentos a serem adotados durante emergências. A Cepdec-MS ressalta que a responsabilidade pela elaboração e implementação dos Plancons é dos municípios, enquanto o Estado deve oferecer apoio e orientação.
O planejamento financeiro do Governo do Estado para responder a eventos climáticos é flexível e pode ser ajustado conforme necessário, sem limitações ao valor inicialmente previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA). Para 2026, a previsão inicial é de R$ 600 mil, mas o Estado afirma que os recursos podem ser aumentados através do Sistema de Planejamento Financeiro.
Nos anos anteriores, houve um aumento significativo nos valores destinados a emergências. Em 2024, uma dotação inicial de R$ 10 mil foi elevada para R$ 19,61 milhões, enquanto em 2025, os R$ 15 milhões inicialmente previstos foram ampliados para R$ 18,46 milhões. O Governo também menciona programas como Clima Pantanal e Carbono Neutro como fontes de recursos para infraestrutura e logística em áreas vulneráveis.