A investigação do caso da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, que foi assassinada no dia 18 de maio, ganhou novos contornos após a Polícia Civil analisar resíduos de disparo de arma de fogo encontrados nas mãos de João Jazbik Neto, de 78 anos. Esses vestígios foram cruciais para que a polícia refutasse a tese de suicídio apresentada pela defesa do médico, que é o principal suspeito do crime. Além dos resíduos, um diário deixado por Fabiola, no qual ela descreve uma rotina marcada por medo e violência, também foi considerado na apuração.
Durante as investigações, os policiais realizaram uma série de análises, incluindo o confronto balístico de um projétil encontrado no local do crime e a avaliação de armas apreendidas na residência de Jazbik. Essa combinação de evidências levou a Polícia Civil a concluir que Fabiola foi vítima de feminicídio. Um exame realizado com a técnica de Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) identificou partículas de pólvora na mão direita de Jazbik, o que indica que ele manuseou uma arma de fogo ou efetuou um disparo. Em contrapartida, a perícia não encontrou resíduos nas mãos de Fabiola, o que desmontou a versão de que ela teria cometido suicídio.
O método de análise utilizado é considerado um dos mais precisos para identificar vestígios de disparo. De acordo com Guilherme Cioccia, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, a MEV é vista como o “padrão-ouro” na identificação desses resíduos, apresentando alta precisão e baixo índice de falsos positivos. A técnica permite observar o formato das partículas e, em conjunto com o espectrômetro de energia dispersiva (EDS), confirma a presença de elementos como chumbo, bário e antimônio, comuns em disparos de arma de fogo.
Além dos resíduos, a investigação revelou outros elementos que indicam a manipulação da cena do crime. Manchas de sangue encontradas nas paredes do local sugerem que Fabiola foi alvo de múltiplos golpes. A análise dos ferimentos também apontou que as características não condizem com um tiro disparado de perto, além da presença de um afundamento na lateral esquerda do rosto, que não seria compatível com um disparo autoinfligido.
A arma encontrada sob o corpo de Fabiola também foi analisada. Peritos encontraram fios de cabelo na extremidade do cano e cabelos presos no tambor, uma situação considerada atípica que sugere uma manipulação não usual da arma. Esses achados, juntamente com os resíduos de disparo, levaram a Polícia Civil a concluir que o local do crime foi alterado para sustentar a versão de suicídio. Como resultado dessas evidências, João Jazbik Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual e se encontra preso à disposição da Justiça.