Anac apura informações falsas da Voepass após acidente fatal

Após a queda de um avião da Voepass em 2024, a Anac revelou que a empresa forneceu dados falsos sobre a manutenção das aeronaves. O [...]

O acidente envolvendo um avião da Voepass, que ocorreu em 9 de agosto de 2024, resultou na morte de 62 pessoas e gerou uma série de questionamentos sobre a gestão de segurança da companhia. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, revelou que a empresa enviava informações enganosas sobre a manutenção de suas aeronaves.

Faierstein destacou que, durante as operações assistidas, fiscais da Anac se deparavam com mecânicos que reportavam a troca de peças, mas, na prática, essas manutenções não eram realizadas. O presidente da Anac admitiu que a agência foi enganada pela Voepass, afirmando que as análises feitas pelo corpo técnico da Anac se basearam em documentos falsos.

Em uma nota divulgada no dia 23 de agosto de 2024, a Voepass defendeu sua atuação, afirmando que, ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos rigorosos em matéria de segurança e capacitação de sua tripulação. No entanto, a investigação realizada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Força Aérea Brasileira (FAB), concluiu que o acidente foi resultado de falhas múltiplas, envolvendo a empresa, a aeronave, os pilotos e a Anac.

O relatório final da investigação, que levou quase dois anos para ser elaborado, identificou 19 fatores que contribuíram para a tragédia, sendo 15 considerados diretamente relacionados ao acidente. Um dos fatores críticos foi a decolagem da aeronave PS-PVB, modelo ATR-72, que apresentava o limpador de para-brisa inoperante, o que é considerado uma condição inadequada para a decolagem, especialmente nas circunstâncias meteorológicas do dia do acidente.

Além disso, inspeções realizadas pela Anac antes do acidente revelaram diversas não conformidades, relacionadas à manutenção das aeronaves e à rastreabilidade de componentes. O Cenipa também indicou que os sinais de perigo e as condições técnicas deterioradas não foram adequadamente analisados pela Anac, o que impediu a tomada de decisões estratégicas necessárias para mitigar os riscos operacionais da companhia.

Esses achados ressaltam a necessidade de melhorias nos processos de registro e monitoramento de dados na Aviação Civil, evidenciando que a continuidade das operações da Voepass ocorreu mesmo diante de degradações significativas nos níveis de segurança.

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