A Justiça de Mato Grosso determinou que Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, enfrente um júri popular pelo assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini. A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, após a realização de audiências de instrução e o depoimento de mais de 10 testemunhas.
Os crimes imputados a Bernal incluem homicídio qualificado, caracterizado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de uma causa especial de aumento de pena devido à idade de Mazzini, que tinha mais de 60 anos. O ex-prefeito também foi acusado de porte ilegal de arma de fogo, em relação a um revólver calibre .38 Special, e sua prisão preventiva foi mantida pelo juiz responsável.
A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande formalizou a denúncia contra Bernal, que está detido desde o dia do crime, em 24 de março de 2026. Os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia destacaram que Mazzini adquiriu a casa de Bernal em um leilão da Caixa Econômica Federal e foi ao local para tomar posse do imóvel, acompanhado de um chaveiro, quando foi atacado.
O Ministério Público alegou que o crime foi motivado por vingança, uma vez que Bernal não aceitava a perda do imóvel. A denúncia descreve que o ex-prefeito disparou contra Mazzini, atingindo-o em duas ocasiões, e após a vítima ter sido incapacitada, ainda efetuou um segundo disparo à queima-roupa. O ex-prefeito não prestou socorro e deixou o local, evidenciando insensibilidade diante da situação.
O crime ocorreu na residência que pertencera a Bernal, que havia sido arrematada por Mazzini no ano anterior. Após os disparos, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h e, apesar das tentativas de reanimação que se estenderam por cerca de 25 minutos, Mazzini não sobreviveu aos ferimentos.
Após o incidente, Bernal se apresentou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, enquanto o chaveiro que presenciou o crime foi encaminhado ao Centro Integrado de Polícia Especializada (Cepol). A defesa de Alcides Bernal já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em busca de liberdade, após diversas negativas na Justiça de Mato Grosso do Sul.