Advogado defende que não houve invasão na morte de fiscal em Campo Grande

Durante a audiência sobre a morte do fiscal Roberto Mazzini, o advogado Tiago Martinho afirmou que não ocorreu invasão na residência onde o crime se [...]
Advogado Tiago Martinho. — Foto: Advogado Tiago Martinho. (Madu Livramento, Jorn

Na audiência realizada na quarta-feira (27), referente ao caso do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, que foi assassinado pelo ex-prefeito Alcides Bernal, o advogado da família, Tiago Martinho, defendeu que não houve invasão na residência onde o crime ocorreu. Essa declaração surge em resposta às alegações de Bernal, que, durante seu depoimento, afirmou temer que sua casa estivesse sendo invadida. O ex-prefeito tinha um contrato com uma empresa de monitoramento para a segurança do local.

Tiago Martinho ressaltou que Mazzini já havia solicitado o registro da propriedade no dia 23 de fevereiro, um dia antes do ocorrido. “Em nenhum momento teve invasão. O que houve ali foi uma pessoa que tem a propriedade ingressando no seu próprio imóvel”, afirmou o advogado, explicando que o fiscal estava na casa com um chaveiro para assumir a posse do imóvel, que havia sido adquirido em um leilão.

Durante a audiência, Bernal e outras sete pessoas prestaram depoimento, enquanto no dia anterior, terça-feira (26), foram ouvidas as testemunhas de acusação. No Fórum de Campo Grande, seis testemunhas convocadas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) depuseram, incluindo Gabriel Mazzini, filho da vítima, que fez um relato emocional sobre o caso, além do chaveiro, considerado uma testemunha crucial, e representantes da empresa de segurança contratada por Bernal.

A defesa do ex-prefeito argumentou que os depoimentos confirmaram sua posse sobre a casa e que ele realmente residia no local. Com base nesses argumentos, os advogados de Bernal planejam solicitar a revogação da prisão preventiva do réu.

Alcides Bernal enfrenta uma denúncia formal da 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que o acusa de homicídio qualificado em relação à morte de Roberto Mazzini, além de porte ilegal de arma de fogo. O ex-prefeito está detido desde a data do crime, ocorrido em 24 de março de 2026.

Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia destacam que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a propriedade de Bernal em um leilão da Caixa Econômica Federal e foi até o local para tomar posse. Os promotores ainda indicam que a motivação do crime foi torpe, pois Bernal agiu impulsionado por um sentimento de vingança, não aceitando a perda do imóvel para a vítima e acreditando ter direito sobre ele. Dessa forma, a acusação caracteriza o homicídio como qualificado, por ter sido cometido contra uma pessoa maior de 60 anos e utilizando um recurso que dificultou a defesa da vítima.

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