Academia Brasileira de Letras recebe formatura que exalta a potência das periferias

A Academia Brasileira de Letras (ABL) sediou a formatura da Universidade das Quebradas, um evento que exaltou a literatura periférica e a diversidade de 46 [...]
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Projeto da UFRJ formou 46 novos escritores em cerimônia com discurso de Ana Maria Gonçalves

A Academia Brasileira de Letras (ABL) sediou a formatura da Universidade das Quebradas, um evento que exaltou a literatura periférica e a diversidade de 46 novos escritores.

A potência das periferias brasileiras foi o ponto central da celebração ocorrida na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro, na última terça-feira (14). A cerimônia marcou a formatura da Universidade das Quebradas, projeto que capacita novos talentos literários, e contou com um discurso inspirador da escritora Ana Maria Gonçalves. Em sua fala, a primeira mulher negra eleita como imortal na ABL, destacou que “tudo de mais interessante, tudo de novo, tudo de ousado, tudo com potência de mudar a sociedade brasileira, vem das periferias, vem das quebradas”.

A solenidade, realizada no Teatro Raimundo Magalhães Jr., reuniu 46 formandos. Entre eles, Ismael Queiroz Dias, de 29 anos, um jovem escritor de Niterói que se identifica como indígena, negro e causasiano. Ismael, que lançou seu primeiro livro em 2022, expressou orgulho em representar seus ancestrais e sua mestiçagem, valorizando a diversidade de suas raízes. Ele encontrou no curso um ambiente potente de aprendizado e companheirismo, superando receios iniciais.

A Universidade das Quebradas é uma iniciativa de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), idealizada por Heloísa Teixeira e Numa Ciro. Seu propósito é fomentar a formação de novos escritores, com foco em áreas periféricas do Rio. O projeto é fruto de uma parceria estratégica entre a UFRJ, o Instituto Odeon e a ABL, permitindo que os alunos tenham aulas semanais na própria sede dos imortais e estudem suas obras.

A turma de 2025 dedicou-se ao estudo das obras do escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, explorando a união entre literatura, arte popular, tradição e identidade. Como culminância desse processo, os participantes, carinhosamente apelidados de “quebradeiros e quebradeiras”, lançaram na mesma data o livro “Suassuna Quebradeiro”, uma coletânea de contos e peças autorais, disponível online.

A experiência foi enriquecedora para nomes como Lady Victória Padilha, de 23 anos, nascida em Manaus e graduanda de Letras-Português na UFRJ. Ela ressaltou como o curso aproxima a universidade de realidades distantes da academia, e seu conto na coletânea, “O Jovem Vendedor de Codajás”, é um abraço em suas raízes nortistas. Rose de Souza Garcia, de 60 anos, também ex-aluna da UFRJ, ingressou no curso após publicar seu primeiro conto. Ela reconhece os desafios de flexibilizar estruturas institucionais para a arte, mas valoriza o aprendizado coletivo e a troca de realidades entre os escritores.

Carlos Gradim, presidente do Instituto Odeon, enfatizou que os alunos trazem uma bagagem de escrita, seja profissional ou amadora. Ele descreveu o projeto como um espaço de escuta, onde o saber potente já presente nos territórios dos jovens dialoga com o conhecimento acadêmico, criando uma troca valiosa e integrada.

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