Fraudes na saúde resultam em saques fracionados de R$ 9,2 milhões

Investigação revela que grupo ligado a fraudes em prefeituras de Mato Grosso do Sul utilizou saques fracionados para desviar R$ 27,4 milhões, evitando o rastreamento [...]

A Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) expôs um esquema de corrupção que desviou R$ 27.446.110,71 de prefeituras de Mato Grosso do Sul. De acordo com o relatório da Operação Gutenberg, foram detectados milhares de saques que totalizam R$ 9.217.000,00 da conta da Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46). Essa empresa teria firmado contratos fraudulentos com 17 prefeituras do estado.

A estratégia utilizada pelos integrantes do grupo criminoso era realizar saques no valor de R$ 45 mil a R$ 49 mil, quantias que ficavam abaixo do limite de R$ 50 mil. Essa manobra visava evitar a detecção pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que monitora movimentações financeiras suspeitas. Transações a partir desse valor exigem notificação prévia ao banco, o que permite o rastreamento imediato pelo Coaf.

Durante as investigações, ficou claro que os valores recebidos pelas prefeituras eram direcionados à conta da Editora Avante, que tinha como proprietária Rhayane Souza Franaia. Ela é identificada como uma 'laranja' do Clã Jafar, liderado por sua sogra, Rossana Paroschi Jafar. Os saques realizados por Rhayane eram distribuídos entre os membros da organização criminosa, conforme as ordens do Clã Jafar.

A matriarca Rossana e seus filhos, Olívia e Pedro, estão entre os envolvidos, com Giovanni, ex-marido de Rhayane, sendo considerado foragido. As investigações revelaram que Olívia, juntamente com seus irmãos e mãe, era uma das líderes do esquema de corrupção. A Gráfica Alvorada, também vinculada ao clã, é suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro, conforme os desdobramentos da Operação Lama Asfáltica.

Foi apurado que Olívia recebia transferências da Editora Avante em sua conta pessoal, reforçando a evidência de sua participação ativa no esquema. A Operação Gutenberg culminou na prisão de 14 pessoas, incluindo membros do Clã Jafar, exceto Giovanni. Rossana, por sua vez, foi flagrada em posse de munições, respondendo também por posse de arma de fogo.

As autoridades apreenderam mais de R$ 200 mil em espécie e R$ 3 milhões em cheques durante a operação, evidenciando a magnitude do esquema de corrupção. A investigação continua, com foco na desarticulação completa da rede criminosa que operava em Mato Grosso do Sul.

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