A defesa de duas empresas responsáveis por quatro caminhões, cujas cargas de madeira foram apreendidas em uma grande operação realizada em Corumbá, a 429 quilômetros de Campo Grande, afirma que não havia cocaína impregnada na carga. As autoridades competentes estão à espera dos resultados das análises que determinarão a natureza da substância apreendida.
No total, foram confiscadas 230 toneladas de madeira, distribuídas em oito caminhões, sendo que quatro deles foram interceptados na cidade de Corumbá. O delegado da Receita Federal em Cuiabá (MT), Raimundo Mendes, declarou que, caso a presença de cocaína seja confirmada, esta seria a maior apreensão do tipo já registrada no Brasil.
Na última quinta-feira (9), a defesa dos caminhões apreendidos, representada pelo advogado Leandro Lobo, divulgou uma nota oficial informando que os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal indicaram resultados negativos para as amostras analisadas. A nota destaca que as investigações tinham como objetivo aprofundar a apuração e realizar exames periciais mais detalhados, ressaltando que, até o momento, não há uma conclusão definitiva sobre a existência de drogas, tampouco sobre a participação de possíveis envolvidos em atividades ilícitas.
Além disso, a defesa aguarda o resultado final dos testes. Em sua nota, é mencionado que a finalização dos testes secundários é essencial para esclarecer os fatos e comprovar a veracidade dos acontecimentos por meio de laudos periciais.
A Operação Timber Shield revelou indícios de que cargas de madeira estavam sendo utilizadas para o transporte internacional de cocaína oculta na estrutura do material. Embora o destino do entorpecente ainda não tenha sido confirmado, as cargas tinham como destinos declarados em MS as cidades de Campo Grande e Anastácio, enquanto no PR, o destino era Curitiba. Contudo, há indícios de que esses locais não correspondiam ao destino final das cargas.
Os traficantes utilizaram uma técnica de ocultação que consiste na introdução de cocaína líquida nas toras de madeira, substituindo a ceiva do material. A delegada da Alfândega da Receita Federal em Corumbá, Tatiane Suhogusoff, explicou que a cocaína é impregnada na madeira através de um processo químico utilizando solventes específicos, caracterizando um método recente e com aumento significativo no seu uso.