O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, encontra-se em estado grave, conforme relata seu advogado, Oswaldo Meza. Bernal sofreu um infarto na quarta-feira, 1º, e foi submetido a um cateterismo na Santa Casa, onde permanece internado. O ex-prefeito já possui quatro stents e deverá passar por um procedimento cirúrgico ainda neste dia para a inserção de mais seis dispositivos.
De acordo com o laudo médico, Bernal apresenta síndrome coronariana aguda e doença coronariana multiarterial severa. Um stent é um tubo implantado em vasos sanguíneos que tem a função de manter a estrutura aberta, permitindo a normalização do fluxo sanguíneo. “Ele tem problema cardíaco, já tem quatro stents no coração. A justiça não tem levado isso em consideração, negaram o HC [habeas corpus], negaram a revogação; corre um sério risco do Bernal ter um problema mais sério ou até mesmo vir a óbito”, afirmou Meza.
A defesa do ex-prefeito planeja solicitar um novo pedido de prisão domiciliar, embora o foco atual seja na recuperação de sua saúde. Bernal está sendo acompanhado pela ex-mulher e, apesar de estar sob efeito de um sedativo leve, está consciente enquanto aguarda a cirurgia. A Polícia Militar está responsável pela escolta do ex-prefeito durante sua internação.
Bernal está detido desde 24 de março, após ser acusado de assassinar o fiscal tributário Roberto Mazzini em uma residência no bairro Jardim dos Estados. A defesa argumenta que a condição de saúde do réu é um fator relevante em seus pedidos de liberdade, ressaltando sua vulnerabilidade, uma vez que Bernal é cardiopata, diabético e hipertenso, além de utilizar medicação controlada regularmente.
Na mesma quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal negou o pedido de liberdade do ex-prefeito. Meza comentou que a notícia pode ter causado um aumento na pressão arterial de Bernal, dado seu histórico de problemas cardíacos. A decisão do relator do caso, ministro Og Fernandes, foi publicada no Diário da Justiça, e o pedido agora será analisado pela Sexta Turma do STJ em data a ser definida.
A situação de saúde de Bernal é um dos principais argumentos utilizados por sua defesa. Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia afirmam que Mazzini, de 60 anos, foi ao imóvel para tomar posse após adquiri-lo em leilão da Caixa Econômica Federal, o que motivou o crime. A motivação do homicídio foi classificada como torpe, uma vez que Bernal teria agido por vingança, em razão da perda do imóvel para a vítima.