A Bolívia vive um cenário de tensões sociais, com a celebração do Ano Novo Andino ocorrendo em meio a um estado de emergência declarado pelo presidente Rodrigo Paz. A medida, que entrou em vigor no dia 20 de agosto, busca conter os efeitos de mais de 50 dias de bloqueios de estradas que isolaram a capital La Paz e outras áreas do país.
Os bloqueios, organizados por grupos antigovernamentais, estão sendo desfeitos gradualmente desde a declaração do estado de emergência. Apesar da crise social e da falta de combustível, a festividade, que reúne milhares de pessoas em montanhas e mirantes de La Paz, não foi completamente interrompida, embora a participação tenha sido reduzida em relação aos anos anteriores.
Na madrugada de domingo, milhares de bolivianos se dirigiram aos pontos altos para receber os primeiros raios de sol do Ano Novo Andino, uma tradição que remonta aos povos pré-hispânicos e está ligada ao solstício de inverno no Hemisfério Sul. Um dos sindicatos rurais que havia liderado os protestos decidiu fazer uma pausa nas mobilizações, permitindo que seus membros participassem da celebração, conforme anunciado em comunicado.
A Assembleia Legislativa ratificou, por maioria, o decreto que instaurou o estado de emergência, que tem como objetivo restaurar a ordem pública. No entanto, o sindicato cocalero, vinculado ao ex-presidente Evo Morales, se mantém em protesto, com o governo acusando-o de instigar as manifestações em busca de impunidade relacionada a uma investigação judicial sobre suposto abuso de uma menor durante seu mandato, que se estendeu de 2006 a 2019.
Evo Morales, atualmente com 66 anos, permanece em sua região cocalera no Chapare desde 2024, recusando-se a comparecer à Justiça. As forças de segurança têm avançado para desobstruir as estradas, mas ainda não atuaram na área do Chapare, onde os bloqueios continuam. Governos e autoridades afirmam que os sindicatos cocaleros controlam essa região, que também é conhecida por abrigar atividades ligadas ao narcotráfico. A situação permanece delicada, com as consequências das mobilizações ainda não totalmente resolvidas, enquanto a população tenta equilibrar suas tradições festivas com o clima de incerteza política.