Na madrugada do último sábado (20), um alerta extremo disparado pela Defesa Civil provocou confusão em Campo Grande. O som agudo gerado pela notificação chamou a atenção de alguns moradores, mas muitos ignoraram o aviso, distraídos com o jogo entre Paraguai e Turquia na Copa do Mundo ou ainda dormindo.
Andréa Caramalc, uma comerciante de 54 anos, revelou que estava tão cansada após um dia de trabalho que desligou o celular. Ela expressou preocupação com a possibilidade de um alerta verdadeiro ser ignorado no futuro, além de considerar a invasão hacker um assunto grave. “Isso é outra coisa extremamente séria, pessoas brincarem com a segurança pública”, afirmou.
Por volta de 1h30, o empresário André Correia, de 31 anos, ouviu o alarme enquanto assistia ao jogo. Inicialmente assustado pela notificação que interrompeu o silêncio do seu celular, ele optou por ignorar a situação, apenas apertando o botão de confirmação. “Não ia acordar meu filho, que é pequenininho. Fiquei de boa”, contou André.
A enfermeira Priscila Rezende, de 32 anos, também não deu atenção ao alerta. Estava focada no jogo e só tomou conhecimento do ocorrido pela manhã, quando viu postagens nas redes sociais. Seu marido mostrou a notificação, mas o casal não se preocupou. “Se fosse de verdade, nós estaríamos ferrados. Da próxima vez vou focar mais nesse alerta”, disse Priscila.
O alerta enviado foi caracterizado por incluir a palavra “misantropia”, que significa ódio à humanidade, levantando suspeitas sobre um ataque hacker. Este incidente levou a Defesa Civil a retirar sua plataforma do ar. O aviso, que parecia ser um alerta sobre condições climáticas, não continha informações sobre chuvas, temporais ou alagamentos, o que aumentou as dúvidas sobre sua veracidade.
A Defesa Civil Nacional emitiu uma nota esclarecendo que o sistema de envio oficial foi desativado após a invasão, que resultou no envio do alerta a várias regiões do país. Além de Mato Grosso do Sul, relatos indicam que mensagens semelhantes foram recebidas na Bahia, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.