Helena da Silva dos Anjos, mãe de Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, assumiu a função de assistente de acusação no caso envolvendo a morte da filha. Natália e seu companheiro, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foram mortos a tiros por um vizinho no último dia 5, no bairro Taquarussu, em Campo Grande. Helena expressou seu desejo de que o autor do crime permaneça encarcerado pelo resto da vida, enfatizando o momento trágico em que Natália estava em casa se preparando para trabalhar quando foi atacada.
O advogado da família, Wilian Frata, informou que já protocolou o pedido de prisão do suspeito, que foi detido por uma equipe do GOI (Grupo de Operações e Investigações) poucas horas após os assassinatos. Contudo, o autor recebeu liberdade provisória durante a audiência de custódia realizada um dia após o crime. "Estamos clamando por justiça. A família respeita o devido processo legal, mas não aceita que duas mortes sejam tratadas como simples legítima defesa", destacou o advogado, ressaltando que evidências materiais indicam outra dinâmica dos fatos.
A família de Natália acredita que o crime pode ter sido motivado por preconceito em relação à identidade de gênero da vítima. Relatos de ameaças e conflitos prévios foram mencionados por familiares no dia do ocorrido. No entanto, a família do acusado refutou a ideia de que o crime tenha motivações de ódio, afirmando que os desentendimentos eram antigos e relacionados a problemas de convivência entre vizinhos.
Após a audiência de custódia no dia 6, o autor foi liberado sob medidas cautelares. No dia seguinte, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) recorreu da decisão, alegando que o suspeito havia confessado o crime e solicitando sua prisão até o julgamento. O pedido, no entanto, foi negado.
No dia 8, a Justiça argumentou que a soltura do acusado foi fundamentada em seus "bons antecedentes" e que as medidas cautelares impostas durante a audiência de custódia foram adequadas. Entre as condições determinadas, consta a utilização de tornozeleira eletrônica por 180 dias, além de restrições de horário, com a obrigação de permanecer em casa entre 20h e 6h, e a proibição de se aproximar dos familiares das vítimas. O autor também foi orientado a comparecer ao Centro de Atenção Psicossocial para acompanhamento psiquiátrico.