A Justiça negou o terceiro pedido de liberdade do ex-prefeito Alcides Bernal, que está preso desde o final de março de 2026, acusado de ser o responsável pela morte do fiscal tributário Roberto Mazzini. A defesa de Bernal solicitou a revogação da prisão preventiva após o término da fase de instrução processual, mas o juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, considerou que não houve novos elementos que justificassem a mudança na situação do réu.
Na decisão, o juiz destacou que, apesar do encerramento da instrução criminal, isso não implica na revogação automática da prisão preventiva. Ele reiterou que os motivos que levaram à decretação da prisão permanecem válidos, uma vez que há evidências e indícios suficientes que sustentam a acusação, corroborados pelos depoimentos colhidos nas audiências de acusação e defesa.
O magistrado ainda ressaltou que a idade avançada de Bernal, que possui mais de 60 anos e é portador de comorbidades, não é, por si só, uma justificativa para a concessão de prisão domiciliar. O juiz explicou que essa modalidade deve ser considerada apenas quando fica demonstrado que o local de detenção não oferece condições adequadas para tratamento médico.
Com o processo avançando, a ação contra o ex-prefeito entra em sua fase final. Após a oitiva de mais de 10 testemunhas sobre a morte de Roberto Mazzini, o juiz Garcete abriu prazo para que a Promotoria de Justiça apresente suas alegações finais. Em seguida, será a vez da assistência de acusação, que inclui os familiares da vítima, se manifestar.
A autorização para que os familiares de Mazzini atuem como assistentes de acusação foi concedida pelo juiz apenas em 22 de maio, vésperas da audiência, após pedido feito pela defesa da família em abril. Isso indica a importância da participação da família no desdobramento do caso, que está sendo acompanhado com atenção pela sociedade.
O assassinato de Roberto Mazzini ocorreu em uma casa que pertenceu a Alcides Bernal, mas que foi arrematada em leilão por Mazzini no ano anterior. Quando o fiscal foi até o local para tomar posse do imóvel, ele foi atingido por pelo menos dois disparos que o feriram fatalmente. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, apesar dos esforços realizados para reanimá-lo, Mazzini não sobreviveu aos ferimentos.