O período de maior incidência de arboviroses, como a chikungunya, ocorre entre janeiro e maio. Com a chegada de junho, a expectativa é de que os números de casos comecem a diminuir. No entanto, especialistas alertam que a doença pode ter consequências duradouras e que a ocorrência do fenômeno El Niño pode levar a um novo aumento de casos antes do final de 2026.
Ao fim de maio, o Brasil registrou 48.868 casos prováveis de chikungunya, com 12.619 deles localizados em Mato Grosso do Sul, . Isso representa mais de um quarto (25,8%) do total de casos no país. É importante ressaltar que esses números podem aumentar nas próximas semanas, à medida que as secretarias de saúde atualizarem suas informações nos sistemas.
O número de mortes por chikungunya também alcançou um recorde neste ano, com Mato Grosso do Sul contabilizando 21 óbitos, o que equivale a aproximadamente 63% do total de mortes registradas no Brasil. A presença do mosquito Aedes Aegypti e as condições climáticas desempenham um papel crucial na sazonalidade da chikungunya, como explica a médica infectologista Andyane Tetila, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Grande Dourados.
Tetila aponta que a transição para um período mais seco e ameno geralmente contribui para a redução na transmissão da doença. Contudo, isso não significa que o risco de contágio tenha desaparecido com a chegada de junho, e, portanto, as medidas de prevenção devem ser mantidas até o final do ano. A especialista observa que, Em Dourados e outras localidades de Mato Grosso do Sul, a expectativa é que o número de novos casos diminua gradualmente, mas ainda há a possibilidade de transmissões residuais e surtos em áreas com alta infestação do mosquito.
Por sua vez, o infectologista Júlio Croda, da UFMS, concorda que a partir de junho os casos devem diminuir, mas alerta sobre a possibilidade de um novo pico da doença em dezembro, impulsionado pelo El Niño. O fenômeno climático é caracterizado por alterações nas temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial e pode ter um impacto significativo na incidência de doenças transmitidas por mosquitos.
Dourados, um dos municípios mais afetados, responde por 39,4% das mortes por chikungunya no Brasil em 2026 e por 61,9% das mortes em Mato Grosso do Sul. A cidade registrou 13 óbitos confirmados, sendo que dez dessas vítimas eram indígenas e incluíam três bebês de idades variando entre 48 dias e três meses, além de uma criança de 12 anos e nove adultos, a maioria idosos.