Na manhã desta segunda-feira (1º), a Polícia Civil deflagrou uma operação para investigar possíveis fraudes em uma licitação realizada entre a Prefeitura de São Paulo e o IBC (Instituto Conhecer Brasil), responsável pela produção do filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações apontam que houveram irregularidades significativas no termo de colaboração assinado entre a SMIT (Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia) e o instituto, cujo representante é Karina Ferreira da Gama. O contrato visava a instalação de Wi-Fi em áreas periféricas da cidade, mas levantou suspeitas devido a falhas graves detectadas desde o início da contratação.
Uma das principais preocupações é a falta de capacidade técnica do IBC, que não possui experiência no setor de telecomunicações. Além disso, o valor acordado para a instalação foi considerado superfaturado, uma vez que o instituto estipulou um pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto, valor que excede os padrões praticados no mercado.
A investigação também destaca o descumprimento de metas e a ocorrência de fraudes em aditivos contratuais. Do total de 5.000 pontos de Wi-Fi previstos, apenas 3.200 foram efetivamente instalados. Além disso, a administração municipal teria antecipado R$ 26 milhões em pagamentos sem a contrapartida adequada, o que levanta mais questionamentos sobre a execução do contrato.
As autoridades suspeitam que os recursos destinados a esse contrato podem ter sido desviados para a Go Up Entertainment Ltda, produtora controlada por Karina, com o intuito de financiar a produção do filme Dark Horse. Em resposta às alegações, a Prefeitura de São Paulo afirmou que está colaborando com as investigações e já forneceu todas as informações requisitadas.
A administração municipal ressaltou que a prestação de contas está disponível para consulta pública e que o programa de instalação de Wi-Fi está em funcionamento na cidade. Informou ainda que o processo de contratação foi realizado de forma transparente, com um chamamento público que ocorreu em 2024, antes da produção do filme em questão. Para o ano de 2026, o custo estimado por ponto/mês foi reduzido para R$ 1.280,80, em comparação com propostas anteriores que variavam de R$ 2.026,26 a R$ 5.092,14.