O dólar apresentou uma leve alta de 0,22% nesta sexta-feira, 29, cotado a R$ 5,0429, após atingir a máxima de R$ 5,0707 no início da manhã. Essa variação foi influenciada por fatores técnicos, incluindo a formação da última taxa Ptax do mês e a queda nos preços do petróleo, em meio à expectativa de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã. A influência dos gastos do governo norte-americano em classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), não teve impacto significativo na taxa de câmbio, embora os operadores achem que isso pode adicionar volatilidade ao mercado financeiro.
Após um mês de abril desafiador, em que o dólar caiu 4,36%, a moeda americana conseguiu se recuperar neste mês, alcançando uma valorização de 1,82%. No acumulado do ano, o dólar apresenta uma desvalorização de 8,13% em relação ao real, que se destaca como uma das divisas com melhor desempenho entre as principais moedas globais, impulsionado por um diferencial de juros favorável e pela alta nos preços do petróleo. Moedas de menor relevância, como o rublo russo e o novo shekel israelense, também registraram uma alta um pouco acima da do real.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Pine, atribui a recente desvalorização do real à reprecificação dos juros globais. Esse fenômeno foi desencadeado por índices elevados de inflação ao produtor em abril em diversos países, especialmente nos EUA, que afetaram os preços de energia. Oliveira destacou que houve um fluxo cambial negativo, além de um aumento na volatilidade, que foram exacerbados pelo cenário eleitoral no Brasil. Apesar disso, ele ressalta que investidores estrangeiros tendem a avaliar a corrida presidencial de maneira menos impactante do que os investidores locais.
O índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, mostrou leve queda, refletindo as expectativas do mercado sobre como a Europa lidará com as consequências da guerra. Enquanto isso, os preços do petróleo caíram, com o contrato do Brent para agosto ultrapassando brevemente a marca de US$ 90 por barril pela primeira vez desde março, mas fechou cotado a US$ 91,12, representando uma queda de 1,7%. No acumulado da semana, os preços do petróleo caíram mais de 9% e 16% no mês.
Oliveira também comentou sobre as previsões otimistas que esperavam uma redução da taxa de câmbio para níveis entre R$ 4,50 e R$ 4,60, baseadas na previsão de que o Brasil se beneficiaria com a alta do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio. No entanto, ele defende que o país já estava em uma posição favorável por conta da melhora nos termos de troca antes do início do conflito, e que o recente aumento do preço do petróleo apenas trouxe um “impulso adicional”. O economista concluiu que os modelos de curto prazo indicam que o real está bem precificado nos níveis atuais, com expectativas de oscilação entre R$ 5,03 e R$ 5,04.