O casarão localizado na Esplanada Ferroviária, no Centro de Campo Grande, está novamente no foco das discussões sobre sua recuperação. Atualmente, o imóvel se encontra em estado de abandono, sendo alvo de vandalismo e deterioração em decorrência do tempo. A 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, nesta sexta-feira (29), tomou a iniciativa de instaurar um procedimento administrativo, visando acompanhar as ações destinadas à recuperação e conservação do patrimônio, que é parte do antigo acervo ferroviário federal.
Esse casarão é um marco da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e possui o status de patrimônio histórico, o que implica na necessidade de cuidados específicos para sua preservação. Nos últimos anos, o imóvel enfrentou ocupações irregulares que dificultaram a manutenção, contribuindo para o seu agravamento estrutural. Com a saída dos ocupantes, foram iniciadas as primeiras ações para restaurar o local, incluindo limpeza e fiscalização, coordenadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Além disso, uma proposta surgiu para a criação da “Casa do Patrimônio”, que é um projeto em conjunto com a FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul). Essa iniciativa tem como objetivo revitalizar o espaço, transformando-o em um ponto de memória, cultura e valorização do patrimônio ferroviário regional. Anteriormente, o casarão abrigou o Memorial dos Prefeitos, além de museus e exposições, e passou por uma revitalização significativa em 2007, que recuperou as pinturas e texturas das suas paredes.
Entretanto, o andamento desse projeto já enfrentou dificuldades administrativas, levando o Ministério Público a monitorar a situação. O novo procedimento administrativo do MPMS permitirá a supervisão de reuniões, diligências e ações necessárias para assegurar a restauração do imóvel, visando evitar que mais um capítulo da história ferroviária de Campo Grande se perca no abandono.
Importante frisar que, por ser um patrimônio tombado, a restauração requer a observância de trâmites burocráticos, e essa não é a primeira vez que o MP exige a reabilitação da Esplanada Ferroviária. Em 2025, a questão chegou aos tribunais e o município descumpriu uma ordem de restauração. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou, em setembro de 2025, uma decisão que obriga a Prefeitura de Campo Grande a promover a recuperação dos prédios da Esplanada, estabelecendo um prazo de um ano para a execução das reformas, conforme determinado na decisão original que foi mantida pela instância superior.