O Brasil e a Ausência na Corrida Global por Terras Raras

Apesar de possuir a segunda maior reserva de terras raras do mundo, Brasil ainda enfrenta desafios para se inserir no mercado global e desenvolver sua [...]
Extração, em Minaçu (GO) de elementos essenciais à fabricação de ímãs permanente
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O subsolo brasileiro passou a ser um tema relevante nas discussões geopolíticas globais, especialmente no que se refere às terras raras. Esses minerais são essenciais para a fabricação de tecnologias modernas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos militares. Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base para a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que visa regulamentar e fomentar a exploração desses recursos no Brasil.

Durante um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou a intenção do Brasil de estabelecer parcerias internacionais, especialmente com empresas americanas. No entanto, Lula enfatizou a necessidade de desenvolver a cadeia produtiva nacional, abrangendo desde o processamento até a industrialização, evitando a prática histórica de exportação de matéria-prima.

Atualmente, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China, que domina o setor. Apesar dessa riqueza mineral, a produção nacional ainda é praticamente insignificante. Dados da Agência Nacional de Mineração indicam que existem 2.692 processos minerários relacionados a terras raras no Brasil, mas apenas sete possuem concessão para lavra, evidenciando que a maioria dos projetos está ainda em fase de estudos e prospecção.

As terras raras são consideradas um recurso estratégico em nível global. A China, que controla cerca de 60% da produção mundial e 85% do refino desses minerais, já suspendeu exportações para os Estados Unidos em abril de 2025, durante um período de tensão comercial entre os dois países. Essa situação destaca a importância desses minerais na economia global.

Embora o nome sugira escassez, as terras raras não são raras na natureza, mas sim difíceis de extrair em concentrações economicamente viáveis. O grupo abrange 17 elementos químicos que são vitais para as tecnologias contemporâneas. Contudo, Mato Grosso do Sul ainda não possui dados geológicos concretos que comprovem a existência de depósitos economicamente viáveis, o que o mantém fora do foco atual em terras raras.

Os projetos mais avançados no Brasil estão concentrados em Goiás, onde se encontra a mina Serra Verde, a primeira operação de argila iônica fora da Ásia. Minas Gerais também possui ocorrências relevantes em Araxá e Poços de Caldas, enquanto a Bahia se destaca com iniciativas que seguem modelos chineses. No Amazonas, há grandes depósitos identificados em São Gabriel da Cachoeira, embora parte esteja localizada em terras indígenas.

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