Lançamento de livro relembra vítimas do serial killer Nando em Campo Grande

A obra 'A Jornada dos Esquecidos', da delegada Aline Sinnott, aborda a história das vítimas de Luiz Alves Martins, o Nando, assassino que cometeu crimes [...]
Delegada Aline Sinott, autora do livro A jornada dos Esquecidos - Foto: Henrique

Luiz Alves Martins, conhecido como Nando, é um dos nomes mais marcantes na história policial de Mato Grosso do Sul. Ele foi condenado a mais de 140 anos de prisão por ter assassinado e ocultado os corpos de 16 pessoas no bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, onde transformou um terreno baldio em um cemitério clandestino. Passados dez anos desde as escavações que revelaram a gravidade de seus crimes, a história é recontada sob uma perspectiva frequentemente ignorada: a identidade das vítimas.

A delegada Aline Sinnott, responsável pela primeira fase das investigações, decidiu dar voz aos esquecidos em sua obra “A Jornada dos Esquecidos”. O lançamento do livro está marcado para a próxima quinta-feira, 28 de maio, às 18h30, na ADEPOL (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Mato Grosso do Sul). A autora ressalta que muitas das vítimas eram pessoas que a sociedade tende a esquecer.

O livro surge da necessidade de resgatar a memória dos que foram apagados pela história. Enquanto o nome do assassino frequentemente ganha destaque na mídia, as vidas das vítimas permanecem em segundo plano. A investigação revelou que Nando escolhia alvos vulneráveis, como jovens da periferia e dependentes químicos, que já enfrentavam abandonos familiares e exclusão social antes de desaparecer.

Aline enfatiza que muitos desaparecidos nem chegaram a ter boletins de ocorrência registrados devido ao estigma que cercava suas vidas, muitas vezes ligadas a pequenos delitos. A falta de registros oficiais de desaparecimento, somada ao receio da comunidade em relatar os casos à Polícia, permitiu que o assassino se autodenominasse “justiceiro”, recebendo apoio de algumas pessoas que viam suas ações como justiça social.

Durante as investigações, houve a necessidade de restringir o acesso da imprensa aos locais de escavação, a fim de preservar o vínculo com as fontes. Aline Sinnott destaca que o processo investigativo não apenas exigiu habilidades técnicas, mas também impactou emocionalmente as equipes envolvidas. "Foi uma escrita que trouxe as emoções, a minha vivência, a vivência dos policiais. Espero que gostem de analisar como que é uma investigação de verdade", comenta.

A principal mensagem do livro é a dignidade e o direito à existência das pessoas, independentemente de seus passados. A delegada afirma que é fundamental reconhecer que todos têm o direito de viver suas vidas sem que ninguém interfira nesse processo pessoal. "Os seres humanos estão aí para acertar, para errar, para aprender ou não, mas têm direito à sua existência", conclui Aline.

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