Clube de Pesca em Naviraí pode ser reconhecido como patrimônio histórico

O Clube de Pesca, localizado em Naviraí, a 358 quilômetros de Campo Grande, será tombado como patrimônio histórico devido ao seu valor cultural e arqueológico, [...]
Área teve a relevância histórica comprovada na década de 1930. — Foto: Área teve

A Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul deu início ao processo de tombamento do Clube de Pesca de Sorocaba, situado em Naviraí, a 358 quilômetros de Campo Grande. Este local é considerado de grande relevância histórica, cultural, social e arqueológica. A fundação justifica essa decisão com base em características que qualificam a área como patrimônio cultural de interesse público, destacando sua origem que remonta à década de 1930.

Entre as qualidades que fundamentam o tombamento, a fundação ressalta a continuidade de uso do espaço ao longo do tempo, que se mantém como um ponto de convivência e prática cultural relacionada à pesca e à vida ribeirinha. A importância social do Clube de Pesca é evidenciada pela sua função como referência de identidade e memória coletiva para a comunidade local. Além disso, a localização do clube em uma área de reconhecida relevância arqueológica, ligada ao Sítio Arqueológico Rio Ivinhema 1, reforça sua significância, já que apresenta vestígios de ocupação humana pré-colonial.

A região do imóvel abriga vestígios arqueológicos, incluindo fragmentos cerâmicos guaranis e materiais líticos, que evidenciam a presença humana na área desde tempos remotos. Pesquisas realizadas por professores da Universidade Federal da Grande Dourados sobre o Sítio Arqueológico Rio Ivinhema 1, em Porto Caiuá, revelaram que, apesar dos danos sofridos ao longo dos anos, as escavações trouxeram à tona resultados inesperados e significativos.

Os estudos indicam que a parte central do assentamento é caracterizada por uma vasta superfície de cozinhas, onde se distribuem diversas fogueiras, gerando uma grande quantidade de carvões, cinzas, fragmentos de cerâmica e restos alimentares. Essa análise permite situar o Rio Ivinhema 1 dentro do contexto arqueológico dos povos tupi-guarani em Mato Grosso do Sul, relacionando a diversidade nas formas decorativas dos recipientes aos movimentos dos povos Tupi do litoral em direção às terras interiores durante o período colonial, uma cronologia que foi confirmada por datação radiocarbônica.

Dessa forma, o reconhecimento do Clube de Pesca como patrimônio histórico não apenas preserva a memória cultural da região, mas também valoriza a herança arqueológica que remonta a séculos passados, contribuindo para a identidade da comunidade local e para a compreensão da história da ocupação humana em Mato Grosso do Sul.

Com informações midiamax.com.br

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