Estudo da UFMS aponta ligação entre acumulação de animais e sofrimento mental

Pesquisa revela que a convivência com múltiplos animais pode esconder problemas psicológicos e riscos sanitários, exigindo uma abordagem multiprofissional para a solução. [...]
Imagem ilustrativa. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

Uma pesquisa conduzida pela médica veterinária Glória Ferreira Duailibi, no programa de Mestrado em Saúde da Família da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), identificou que a acumulação de animais domésticos pode estar diretamente associada ao sofrimento psicológico de seus tutores. O estudo destaca que essa prática não apenas afeta a saúde mental, mas também pode ocultar riscos sanitários e situações de vulnerabilidade social.

A experiência prévia da pesquisadora com pessoas que acumulam animais foi fundamental para a realização do estudo. Glória observou que esses casos são complexos e requerem a colaboração de diversas áreas profissionais. A pesquisa concluiu que, do ponto de vista da saúde pública, a acumulação de animais está ligada à incapacidade de oferecer condições adequadas de alimentação, higiene, espaço e assistência veterinária.

Em situações onde há dificuldades financeiras e isolamento social, muitos acumuladores de animais não reconhecem a gravidade de suas condições, o que pode gerar ambientes insalubres. Essa condição aumenta o risco de zoonoses, que podem comprometer tanto a saúde humana quanto a saúde animal. O estudo ainda revelou que os tutores frequentemente possuem entendimento limitado sobre os riscos sanitários envolvidos na acumulação de animais.

A professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Juliana Galhardo, que orientou a pesquisa, ressaltou a conexão entre a acumulação de animais e problemas psicológicos. Ela explicou que essa condição geralmente está associada ao sofrimento psíquico, como a depressão e o luto, resultando na incapacidade de garantir cuidados básicos para os animais e para si mesmo. O estudo aponta que muitos indivíduos que vivem essa realidade encontram nos animais uma forma de lidar com a dor, o que dificulta a aceitação de ajuda psicológica.

Conforme Glória, os vínculos afetivos que as pessoas formam com seus animais tornam-se centrais em suas vidas, mas essa estabilidade aparente não elimina as vulnerabilidades. Muitos participantes do estudo enfrentam limitações financeiras e dificuldades de acesso a assistência veterinária, o que pode comprometer a saúde dos animais a médio e longo prazo, além de aumentar os riscos sanitários.

O desconhecimento sobre zoonoses endêmicas, como esporotricose e leishmaniose visceral, foi uma das questões abordadas na pesquisa, que incluiu orientações sobre prevenção e cuidados. O estudo também enfatizou a necessidade de um trabalho interprofissional envolvendo médicos veterinários, psicólogos e assistentes sociais para enfrentar o problema da acumulação de animais.

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