O Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, enfrenta uma crise financeira que pode levar à sua falência, mesmo após receber repasses significativos do governo. Um procedimento administrativo prévio à intervenção revela que, apesar de ter acumulado uma receita líquida de R$ 1,8 bilhão entre 2013 e dezembro de 2024, a concessionária entrou em um ciclo de perdas a partir de 2019, coincidente com a pandemia de Covid-19.
Desde 2023, a Prefeitura de Campo Grande tem sido obrigada a socorrer a empresa com repasses financeiros e isenções tributárias, o que levantou preocupações sobre a dependência crescente do Consórcio em relação a recursos públicos. Em 2026, está previsto que a concessionária receba mais de R$ 70 milhões da prefeitura, mesmo diante de alegações de dificuldades financeiras por parte dos empresários do setor.
A má qualidade do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus é amplamente reconhecida pela população, o que tem resultado em uma diminuição no número de usuários e, consequentemente, na arrecadação proveniente das tarifas de transporte. Um relatório da Diretoria de Fiscalização e Auditoria Contábil da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), concluído em novembro de 2025, analisou a situação financeira da empresa e indicou que a dependência de recursos externos é alarmante.
De acordo com o relatório, o índice de endividamento do Consórcio Guaicurus é considerado insatisfatório. A análise apontou que a concessionária enfrenta dificuldades financeiras, dependendo de verbas de fontes externas para operar em 2023 e 2024. Além disso, a investigação identificou problemas como frota sucateada e falta de manutenção adequada, que agravam a situação.
Irregularidades foram levantadas, incluindo um possível desvio de R$ 32 milhões para a Viação Cidade dos Ipês, sem justificativa, e a venda de um imóvel da Viação Cidade Morena por R$ 14.405.170,30, sem uma destinação clara ou reinvestimento no sistema de transporte. Essas questões levaram à discussão de uma intervenção no contrato do Consórcio, que já havia sido abordada em 2025 após a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pela Câmara dos Vereadores de Campo Grande.
A CPI identificou uma série de irregularidades no cumprimento do contrato e, posteriormente, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito civil para investigar as falhas apontadas. A situação do Consórcio Guaicurus continua sob análise, e a possibilidade de intervenção se torna cada vez mais iminente, diante do cenário de ineficiência e falta de transparência na gestão dos recursos públicos.