O Irã alegou que a operação dos Estados Unidos, que resgatou um piloto de um caça americano abatido, pode ter sido uma manobra para tentar tomar depósitos de urânio enriquecido e prejudicar o programa nuclear iraniano. Esta acusação foi feita pelo porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, em coletiva de imprensa em Teerã.
Baghaei afirmou que a operação poderia ser uma tentativa de distração para roubar urânio enriquecido e que o resultado foi um fracasso para os EUA. Na última sexta-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que um caça F-35 dos EUA foi abatido no espaço aéreo iraniano, e um dos pilotos foi resgatado rapidamente, enquanto o outro teve que se esconder em uma região montanhosa até ser resgatado.
Dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o Irã possui cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60%, material que poderia ser utilizado para a produção de até nove bombas nucleares, caso fosse enriquecido a 90%. Durante a coletiva, Baghaei também negou que o Irã esteja disposto a aceitar um cessar-fogo, em meio a relatos sobre conversas entre Washington e Teerã sobre uma pausa no conflito.
O porta-voz declarou que um cessar-fogo significaria uma pausa para reagrupamento e rearmamento, e exigiu o fim da guerra imposta ao Irã, além de garantias de que não haveria repetição do conflito. Ele se referiu a ameaças feitas pelo presidente americano, Donald Trump, sobre bombardeios a infraestruturas do Irã caso o país não reabra o Estreito de Ormuz até a noite de terça-feira.