Animações criadas por Inteligência Artificial (IA) têm se tornado uma tendência nas redes sociais, especialmente no TikTok e no YouTube Shorts. Conhecidas como "novelas de frutas", essas produções começam com uma estética lúdica, mas rapidamente podem transitar para cenas de traição, alcoolismo e agressão, impróprias para o público infantil.
A popularidade desse fenômeno ocorre em um momento em que o Brasil implementa o ECA Digital, um conjunto de diretrizes que visa proteger crianças e adolescentes na internet. Especialistas em educação digital alertam que, apesar da aparência inocente, esses vídeos utilizam design manipulativo, o que permite burlar os filtros automáticos das plataformas, que os categorizam como conteúdo para crianças.
A exposição a essas animações pode resultar em dissociação cognitiva, prejudicando o desenvolvimento infantil. Termos como "Brain Rot" são utilizados para descrever os efeitos de conteúdos que buscam capturar a atenção de forma extrema, levando a um uso compulsivo e a uma adutização precoce, além de causar hiperestimulação, afetando a capacidade de concentração em atividades tradicionais.
A legislação do ECA Digital surge como uma resposta a esses desafios, responsabilizando as empresas de tecnologia por garantir a segurança dos menores. Essencialmente, a lei exige que as plataformas ofereçam configurações de segurança para os pais e implementem mecanismos de verificação de idade, ressaltando a importância de uma responsabilidade compartilhada entre o Estado, as famílias e as plataformas digitais.