A Otan é uma aliança defensiva, o que significa que ela só é obrigada a agir se um de seus países-membros for atacado diretamente em seu território. No caso atual, os europeus interpretam que a ofensiva contra o Irã partiu de uma iniciativa dos Estados Unidos, o que não aciona automaticamente as regras de defesa coletiva da organização.
O Estreito de Ormuz é uma pequena passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, considerado a 'veia jugular' da economia mundial. Quando o Irã bloqueia essa via, o transporte mundial de energia é interrompido, causando a crise nos preços que o mundo vive hoje.
Analistas apontam que a Alemanha, França e Reino Unido temem que uma intervenção militar se transforme em uma guerra marítima longa, caríssima e impossível de controlar. Além disso, há um desconforto político pelo fato de Trump não ter consultado os parceiros antes de iniciar os ataques, o que faz os europeus hesitarem em enviar suas tropas.
A única vez que a cláusula de defesa coletiva da Otan foi usada foi após os ataques de 11 de setembro de 2001. Naquela ocasião, os aliados entenderam que os EUA foram vítimas de uma agressão externa clara e enviaram tropas para a guerra no Afeganistão. A diferenca é que, na visão atual dos europeus, o conflito com o Irã ainda não atinge esse nível de necessidade jurídica.
